quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O que me é real e vivo, eu vivo

"Eu tive um sonho, numa terra distante, com paredes que eu construía, no meu sonho era assim que eu via"
Dizer que eu mato um leão por dia seria uma mentira. Na verdade, eu mato mais que um, todos os dias, às vezes, mais de um por hora. Mas hoje, apesar dessas matanças, sinto que a paz me abraçou lá dentro, além do físico. Me senti mais forte, não dura e fria como uma rocha, mas resplandescente como uma primavera. Surpreendentemente, digo,  foi preciso um pequeno sermão de quem vem dos becos e vielas para a senhorita socialite. "Muié, cê não sabe porquê eu tô aqui, ó!", pronto. Matei. A fera curvou sua cabeça, deu meia-volta e sumiu, não se gabou do seu diploma na minha frente: quem luta de uma forma que ela talvez não tenha conhecido. Por aí, tive aula prática sobre o respeitar que você não conhece. Sinceramente, vejo que minha vida de caminhar por aí até acertar têm me feito fluente da alegria, dona da minha vida e conhecedora de muitas histórias das quais me enriquecem, pois eu tenho meus ouvidos atentos ao mundo e não costumo me limitar à um sofá espaçoso e caro com uma TV "majestosa" à minha frente nem aos meus filhos calados com seus celulares na mão. Eu sou do amor, mulher... Eu dou valor ao que tem real valor. Nossa senhora, rego tais por aí, sentindo as mais nítidas emoções que faltam-me à quem contar. Por fim, me sinto riquíssima, pois aos poucos vejo o mundo meu, não vejo papéis com valores capitais, que voam na primeira ventania e logo se vê as mãos vazias. A minha paz é poder sentir o vento passando pelo rosto, isso sim. Não consigo me render a esse mundo que me é imposto, ainda assim querem me cobrar imposto.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nua. Crua.


O mundo pode tirar de você
Alguém que lhe ensinou a viver.

Essa é a minha maior e mais dolorosa certeza.

Vejo o quanto seres humanos são cruéis, também...
Vejo algumas tristezas que vem e vem, não se vão.

Olho pro lado, logo vejo um irmão pedindo um trocado
Na minha frente vejo corpos ao chão,
Adormecidos, esquecidos como um cão...
Sem dono.

Na favela matam vários negros,
Nas metrópoles morremos lentamente porque viemos do gueto,
Sem saber, já nascemos réus.
Mas o tempo é quem comando cada passo que dou,
Nunca me esqueci de onde eu vim, muito menos o que sou,
Onde é que agora estou?

Acordo todo dia de manhã,
Sempre fico à pensar,
Cumprir meus compromissos é sempre uma missão,
À começar pelo ônibus que todo dia é lotadão.

Na calma de um monge eu sigo em cima dessa trilha que o mundo me propõe
Nessa noite escura
Nesses versos que componho
Sabendo que mais uma vez me recomponho pelo que sonho.

Privilégio mesmo é nascer em berço de ouro, o resto é plágio.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Há dias em que a gente acorda sentindo o ambiente vazio
"você não é daqui não, né?"
pois eu trazia os vícios da grande cidade
"não, sou de Brasília"
e tudo ficou explicado

Lugar tão habitado
mas mesmo assim tenho dificuldade de encontrar loucura parecida com a minha
na esquina de cada uma dessas ruas
humanos parecem querer se complementar

E eu penso
falo comigo mesmo
apenas

Quer algo melhor do que os goles de saliva?
Pros solitários, só um copo de vinho quente
tomo goles de vida solta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sagaz, cidade.

Conheço essa cidade como meus pensamentos
até comparo as ruas: percorri curvas semelhantes em alguns corpos
Passei pra registrar uns fatos
acabei fazendo parte da maioria deles.

Essa parte da história eu conheço bem!

É, amigo...
não fujo da arraia, não.
Nunca fui de traçar passo em vão,
gosto de escrever em verso tudo o que eu não previ, pra vê se vejo o que há
mas não prevejo nada...
É por isso que a maioria não mergulha nu dentro de mim.

Encosto a cabeça na cadeira do busão e olho pra cima
esse céu azul meio cinza estático me traz calmaria
Há outras coisas que causam a mesma sensação de paz
Mas às vezes eu preciso só do meu espaço
Tanto egoísta como sagaz...

domingo, 4 de outubro de 2015

Longitude

Nada do que já fizemos poderá ser desfeito de fato
Não me submeti ao que a maioria aprova, isso já significa meu mundo estável
Mostrando a alma sem máscara mas o espírito envolto de escudo
Malandro é quem respeita o espaço!

É bom saber que o mundo é grande
mas mesmo assim dói saber que SP tá tão longe
A agitação da minha mente é semelhante a Rua Augusta, da qual eu desconheço
Permaneço distante
Nesse instante rezo pra que eu não me esqueça um segundo
Solitude nata
procuro o que não me prenda
fico onde me cabe melhor

Mais um dia de missão cumprida
é agora que volto pra casa
Não estou muito cansada para me despedir agora
Mas o cedo tornou-se tarde pr'eu me ajeitar sem que o tempo pare
Finjo que tenho pressa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cachos (pequenos relatos)

Nem um dia tumultuoso tiraria  tuas reações do meu pensamento. No escuro, o teu olho brilhava e quando o sol nasceu, era teu sorriso, seus cachos e o tom de sua pele que reluzia diante da minha visão cerrada. Até no teu colo eu me aconcheguei, do teu lado as minhas horas voavam me trazendo de volta à realidade. Às duas e meia da tarde eu me fui dali permanecendo em outra dimensão que eu experimentei poucas vezes. "Essa menina parece um girassol" que não vive em qualquer solo e está sempre de frente pro Sol. É isso que me ganha. Quem dera a mim te ver brilhar toda a vez em que que o Sol chega na minha face. Eu gosto da forma como a gente se olha, se aperta, se sente. Minha mão passeia pelo seu corpo e é agora que o mundo ao redor de nós para e não importa tanto quanto o prazer de estar ali. Teu beijo funciona melhor que morfina, menina. Eu me deito ao teu lado ciente de algo que eu não sei descrever e que está prestes a acontecer, na verdade, nessa hora eu só sinto. Não há muito o que escrever porque ali eu só senti e dessa vez eu não soube decifrar, mas permaneço extasiado e ao mesmo tempo calmo, como teu sorriso no início do dia me deixou.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Serena saudade plena

Enquanto eu observo a vida e ela me observa,
aqui, amor não tem de sobra.
As noites sem Lua costumam ser não muito aconchegantes.
Mas eu ainda quero ser poeta, mãe! E eu serei.
Ainda vou viajar o mundo, seguir mergulhando fundo,
em cada alma, em cada mar.
Hoje eu me lembro da vida precoce-antiga.
Do que me importa, do que esqueci e do que quero de volta.
O tempo não volta, lancei flores por aí, colhi pomares.
Quero meus passos serenos pra alcançar o que almejo.
Dar valor a cada sorriso que vejo e causo.
O que será, será... O que será?
O que é que vale?
Tantas horas jogadas no lixo,
esforços soprados ao vento,
colhendo e deixando morrer,
algo precisa mudar.
Mas hoje, só quero que o tempo não passe,
que algum corpo me aperte e ofereça um bom abraço.
Quando a vida corre demais,
quando você sente que lhe falta tempo,
começa a ver o que concretamente tem valor e,
consequentemente, costuma perceber aquilo que é supérfluo.
E são tantas as coisas aparentes e superficiais...
Não devo ser profunda pra mergulhar em algo tão raso demais...
Só sigo viajante, de codinome Pirata, e não é atoa.
Navego em todos os lugares até encontrar melhores mares,
me afastar dos males e concentrar-me em mim mesma.
Meus pés estão no chão, no ato.
No fim das contas, só quero mais liberdade.
Nada de arrumar as malas e sair de casa,
nem mesmo quero abrir mão do aconchego do abraço apertado de minha mãe depois de um dia cansativo.
Hoje, especialmente hoje, eu quis chorar.
Não sei ao certo se seriam lágrimas de alívio,
por ver o tempo passar,
ou por simplesmente saber quanto tempo ainda me resta para criar.
Hoje senti saudade até da nega que mora longe,
da prima-irmã que mora no meu prédio e quase não a vejo,
da irmã melhor confidente que em Minas Gerais está, com meus dois sobrinhos.
A vida vai passando, saudade dentro de mim ela tece.
Hoje eu parei para pensar.
É que eu sou assim.
É um mundo que gira dentro de mim.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Lá do alto

Quem é que vive pra me provar que eu não posso trocar o dia pela noite? Quem é que vai dizer que eu não posso seguir 1.500 km sem volta? Inexistente. De existente, só a minha crise. Nossa, eu me esqueci! Quem manda é o tempo, eu já fui diferente um dia e talvez um pouco melhor. Não levo jeito e não me sujeito a carregar problemas nas costas para resolver na próxima esquina, costumo dizer que isso é uma vantagem de quem sente pressa, porque ela está ali o tempo inteiro, inclusive quando necessária. Me sinto bicho preso de alma solta, animal selvagem fora do habitat, não considero nada disso relevante. Não querer nada no plano atual é loucura. Querer mudar é natural, e aí sim mudar a rota, a casa, o coração, a cabeça, os vícios. O pensamento movimentando-se mais que as próprias pernas, braços, mãos, tudo junto. Provo que o sentimento atual fará de mim um ser imprevisível. Se seus sonhos  sussurrarem, fique atento. Se gritarem, corra para salvá-los. Às vezes me sinto melhor em silêncio, é quando eu me escuto mais e dou ouvido aos meus anjos e demônios antes que escondam-se novamente. Conquistar a confiança do próprio ego é um jogo eterno. As coisas transformam-se de formas imprevistas que eu não consigo acompanhar quando não são feitas por mim. Aqui dentro, tudo acontece ao mesmo tempo, mas meus gestos não deixam isso claro, não é isso que vê em minha feição. Eu penso em me importar, mas em seguida esqueço. Me lembro novamente só mais tarde, quando ninguém mais liga. Só enxergam aquilo que querem ver, olhando pro lado que querem, atravessando as ruas da vida sem ao menos certificar-se que agora é seguro. Isso pode lhe matar. Pra ser eu, basta se sentir avulsa. "Deve ser assim todo dia, mas só quando tô ruim vejo isso". O silêncio da madrugada pode ser perturbador, mas e se ele trouxer calma, quem vai sair correndo? Nem vento existe agora, mas tem ser humano querendo inventar um novo jeito pra se aconchegar. Sinto-me prestes a voar, não para fugir, mas para aprender o que é a vida, olhando-a lá de cima, do ponto mais sincero de tudo.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que eu penso do amanhã

Na verdade, eu não quero horas marcadas.
Nem planos eu quero...
Só levá-la a um bom lugar, causar boas sensações no corpo e no pensamento.
Sem papo barato de quem quer conquistar, nada de levar alguém ao céu.
Fazer a perna tremer com facilidade na hora da transa é bem melhor que isso,
ela se sente bem e eu também sinto.
É um sorriso seguido de uma grande gargalhada que eu quero escutar,
arrepiá-la facilmente, viajar na volúpia, sem dúvida!
Mas eu não sei agir, quando eu sinto não sei reagir.
Não quero vê-la partindo enquanto eu fumo meu cigarro
e nem perder a chance de criar mais um momento bom.
Vivo mergulhando fundo no que penso, se é certo ou errado, eu nem sei.
A realidade parece outra, mas é difícil aterrizar nela.
Se aconchegar no seu corpo é bem mais simples.
É aí que vejo a complicação de caminhar depois de estar no mesmo lugar durante tanto tempo,
revendo fatos e julgando as ilusões.
A mente não funciona à favor de mim.
A sensação me responde.
E meu olho mostra o quê?
Medo de haver mais um precipício para se jogar.
As coisas levam tempo pra crescer, mas eu sempre acho que vou morrer amanhã.

domingo, 24 de maio de 2015

Qualquer verso

Pra poesia qualquer, nem parei pra pensar
Registrei, mas sem premeditar
Qualquer causa desses meus versos
É só pra desfazer um coração de concreto...

Não gosto disso, nem daquilo
Vou em busca do que me agrada
De quem me agrada
(Esse tal paladar...)
Gosto!

Nem que seja da boca
Do peito
Do aconchego
E do adeus...

Sou quem sinto e nada mais. (Será?)

Caminho, mas é a rua quem me leva
Em partes eu sou dela e ela é minha
Mas sou tua, também
Bem tua, meu bem

Quis segurar tua mão com a minha
Improvisar um verso
Acabar com suas dores e desprazeres
Gosto do teu ceticismo,
mas prefiro cê sorrindo
Porque te flores sempre que sorri.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Caliandra

Tu é a flor mais rara e bela
Pra ti eu escrevo os mais singelos versos
Agradeço por me virar do avesso
E por criar momentos dos quais não me esqueço

Te chamo de flor do cerrado e não é atoa
Tão forte que nasce onde quiser
No terreno mais baldio e seco
reconhece resquícios de um solo bom
E soa como melodia rústica cada soprar do vento sobre nós

Só, eu não estou
Mesmo que longe flor
Sinto teu perfume
guardei sua essência no meu olfato
E de fato lhe tenho amor

"Todo fim de mundo
É fim de nada
É madrugada
E ninguém tem mesmo nada a perder
Eu quero ver,
Olho pra você,
Tudo vai nascer"

Seja como flor, mas que seja.

sábado, 16 de maio de 2015

Nada de blefe

Apê vazio, fumo um cigarro
Secando por dentro, mei' neutralizada
Preocupada só com o cheiro das cinzas
Procurando motivo pra ver se brinda
Pra ver se vinga, se vai embora...
E a sensação que fica habita por horas
Pra fugir do ócio, vários remédios outrora
Dei um gole e um trago pra neutralizar o tédio
No meio da agonia não se encontra paz
Pensa em ir pra rua só pra ver se o céu traz
sa...gacidade constante
E o frio congela as mãos mas o coração não
A situação se nega a ser assim diante dessa correria
O passo eu quero dar, mas sem pressa
Sem estar presa a qualquer peso do passado
E o que dói de verdade, não te interessa
São sequelas de um momento errôneo
E só de querer ter coragem
Ela dá suas caras!
De se entregar a viagem
só por ter alcançado o que tanto almejava
E se é a última chance, a gente nem sabe
Se "pá" o tempo pode responder
É que a dúvida arrepia até os nervos
Bem mais do que o frio que tá no cômodo
Incômodo é viver do incerto
Mas sempre apostando nele, mesmo que cego
O apê tá vazio, acabou o cigarro e os versos também.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Depois de ontem, o hoje

Tudo o que fiz depois disso foi me calar e refletir. É claro que acendi um cigarro no dia seguinte, olhei pra uma nuvem e a segui com o olho, vendo tudo da minha janela. Meu jeito calculista demais, viu dois lados d'uma história que tinha só um lado e segui o caminho mais difícil. Tão desacreditei que não pude enxergar quase nada quando vi que cê ia e sempre voltava, queria que minha mente usasse óculos pra quem sabe poder enxergar melhor e se convencer do teu sentimento que eu não consegui ver por completo, mas incompletamente eu via. Eu sempre meio termo e vivendo isso ironicamente, porque sempre odiei metades e meios. Nunca me convenci por completo de algo que eu pensava não existir, o meu sentimento mais fundo gritou lá do poço dizendo que cê gostava, sim. Talvez nem eu me gostaria, mas eu quis te conquistar, te encantar, te levar lá no alto. O que pra mim estava fora de cogitação, aconteceu. E quando estava em um canto do sofá e eu n'outro, pensava seriamente, calculava cada segundo, cada movimento teu pra eu poder me aproximar ou pedir que se aproximasse pra que eu pudesse, no mínimo, te aconchegar no meu abraço. Eu lembro sim quando lamentou a situação, me recordo de eu colocar a mão na cabeça e me preocupar por estar sentindo, cê encostou a cabeça no meu ombro por poucos segundos e sussurrou "desculpa...", mas eu só pude me calar. Apressei demais, pressionei demais, porque pra mim o meu tempo era pouco, e sentir que poderia ser a última vez que eu poderia lhe ver me corroía por dentro. E eu me retirava pra nunca mais voltar, mas cê sempre me puxava de volta. Eu achava tão bonito, porém, tão inacreditável! Tu sempre foi meu aconchego, mas eu sempre me afogava. Eu não parava nunca de rever cada cena de novela que a gente cometia, na minha mente tudo muito vivo, e eu agoniada porque não sabia onde ia chegar, mas já me doía, digo que por medo e não por sua causa, mas pela minha, talvez. Queria dar muitos passos além do que eu dei, queria que na tua frente eles fossem suaves. Engoli muito choro, viu? Mas liberei vários deles, e quando isso acontecia eu quase não parava. Pausa pro meu choro, pois eu desacreditei da minha própria felicidade escancarada, igual sua janela estava pra eu entrar. Perdi as contas das vezes que afoguei o que eu sentia só pra não demonstrar e pensar que eu era forte demais pra me derramar. Eu não quero que seja tarde demais e nem que seja a última vez, assim como o dia que pra mim nunca acaba e o Sol pra mim nunca vai embora, sempre está ali podendo iluminar o que quer que seja, inclusive meus passos e os teus que vez ou outra e quase sempre costumam se encontrar.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Chorar é (la)crime(jo)

Meu choro agoniado
Segue pelo meu rosto
Desvairado como eu mesma
Chora...

Cada escorrer
Um grito de "por quê?!"
Nem a lágrima sabe onde cai
Nem eu sei onde vou percorrer

Quando é que ela esvai?
Quando a paz me encontrar
Quando o escuro cessar
É aí que vou correr
Quiçá, talvez!

Mas digo muito de cada vez
E nenhum sossego me cala
Falo, falo, falo
Não engulo choro
Porque não me sufoco
Por qualquer esporro

Pra cada lágrima
Construo uma explicação
Mesmo que ela não exemplifique nada...
Não a chamo de dona da situação,
A dona, sou eu.

sábado, 25 de abril de 2015

Laço amasso

O teu querer, é sim, um querer demais
Tudo o que pergunta é se é mesmo
E eu digo que sim, desfaz...

O nó
O tempo
O passado que há em nós
É laço.

Causo em tu um certo caos
Igual a um papel que amasso
Te deixo marcas pra que faça delas arte
Igual de ti faço parte.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Flor murcha

Quero escrever sobre a forma como ela olha, sobre o jeito que seu quadril rebola, sobre o seu sorriso enorme e extraordinariamente chamativo. Contar pra ela do meu fracasso artístico e da vontade que tenho de jogar tudo pro alto, puxar a mão dela e ir embora, pra onde tenha praia. Ver o teu corpo escultural pegando bronze e brilhando mais do que as jóias reluzentes do mundo. Mas nega, é só o cansaço que me atinge e os limites impostos não me deixam levantar voo. Acho que eu entrei em estado de vegetação, já não quero muita coisa… Ou quero, mas não consigo com tudo. É que eu tô me sentindo um pêndulo sem limite, solto, vago… Quase merecendo o troféu de vagabundo! Se me chamassem de louco eu receberia como um elogio, porque sinceramente, o que sou não tem mais nome. Preta, eu não tenho dinheiro mas eu tenho amor demais, eu vivo confuso mas eu sinto muito. E se eu pudesse te ligar pra ouvir sua voz antes de dormir, eu faria, com todo o prazer. Esperaria você adormecer ao telefone, porque é normal… Mas eu ainda acho que eu só sei fazer tudo errado. Nega, a crise se aproximou de mim. Será que você vai estar aqui? Eu me cobro porque eu preciso ser bom demais em algo. Eu tento me incentivar o tempo todo, eu faço e refaço meus planos, eu “viajo”, mas nada têm se concretizado. Pergunto: onde foi que errei? Não sei, viu? Preta, queria que a maior certeza da minha vida ao menos fosse poder deslizar minha mão pela sua pele, aproximar meu faro do teu cangote e sentir seu cheiro. Até agora a vida só me mostrou o quanto ela é derradeira, essa é a minha única certeza. Eu, há tempos, já não deixo o meu pensamento em alguém, eu o deixo solto porque essa é a melhor forma dele não ser lúdico. Nega, queria que soubesse, mas não sei. É só um tremendo vazio.

Tempo vagabundo e meu texto quase individualista

Pra não ouvir o som da TV no momento errado, eu coloco música para tocar só pra mim. Acho necessário dar silêncio a mente quando ela torna-se ignorante ao meu respeito, já que é nela que tudo se dá início. Nesse momento eu faço o que quero: ouço um rock desconhecido e falo sobre alguma coisa, nada específico. Me convém pensar que a responsabilidade não mais sobressai e que acabou muito vivida aos 17 anos (por mais precoce que essa tal ideia pareça ser), agora, claramente é a hora de dar a devida atenção ao que eu porventura me esqueci. Nessa exata hora de fim do dia eu quero relatar o que penso, não quero deitar na cama e forçar um sono. No dia que provavelmente há de vir, eu quero fazer mais por mim, não quero fazer de minha mente uma escrava da pirâmide capital. Só não sou “alguém” quando deixo que me dominem, que abafem minha forma de expressar algo. Meu intuito não é vegetar no lugar onde estou, é fazer jus a tudo o que deveras eu sou. Mas ninguém além de mim é capaz de me dizer ao certo o que fazer. Num momento de estresse eu crio um desenho lúdico pra fugir um pouco (mas só um pouco) do que me é real, não quero interrupções. Se a vida tornar-se sem graça ou amarga, acendo um cigarro e dou um trago (no cigarro que eu quiser) que tudo passa. No momento sinto como se há poucos dias eu estivesse sentenciada em algo que jamais iria mudar, uma prisão perpétua… Eu iria me afogar no ócio dos agrados à terceiros. Eu iria, mas não me afoguei. E olha que eu nem sei nadar! Me safei. Aos poucos tudo em mim torna-se propriamente meu e não de quem quer que seja. Meu aconchego é quase um esconderijo, mas cá para nós que isso não me prejudica, é só a minha casa. Escravos do século XXI, suas mil horas dedicadas ao trabalho (e ainda dizem que é normal), tiram de você suas maiores preciosidades e jogam no espaço, mas você nem percebeu ainda… Quando perceber, peço que se revolte com unhas e dentes, com o que de fato for teu. Se o mundo permitisse que tudo desse uma pausa por algumas horas ou dias, creio que seria o necessário para que pudesse ver o que de fato necessita (e acredito mais ainda que não seja nada disso que costumam impor à cada esquina que a gente passa). Me disseram que calei mais que o normal, sei disso! Mas calo pra poder ouvir o que de fato penso, o que de fato quero e o que de fato eu irei fazer. Se eu me calar por muito tempo, não pense que tornei-me muda. Meus olhos estão atentos e calculistas, escolhi deixá-los sempre à frente de meus impensáveis lábios. Relato o que enxergo e vivo, no meu tempo.

Texto sem rima

Vivo a esperar.
Onde estou? À procurar belezas na vida, pra escapar daquilo que perturba a mente, não necessariamente a minha. Havendo reciprocidades inteiras, faltando meio termos, é a forma em que vou bem. E ir a procurar nos arredores o que me encanta, porque é demais pra cabeça a ausência do que me agrada. Vivendo numa monotonia baixa, sem muitas opções… É como se eu fosse cego por dentro, feio dizer isso mas, digo. Não pressione, não… Impressione! Tribulações zero. Tributos a quem valha a pena (eu quero). Como a navalha que o corpo corta, tenha destreza em se livrar. E voe bem, bem alto, em calma. Da minha janela eu enxergo tons e desfechos, há uma infinita massa de horizontes. Por dentro, sempre há uma liberdade gritando, querendo existir, deixando de ser apenas pensamento e vontade. Dê vida! Vontades nascem e renascem, o tempo inteiro em que o coração pulsa. A linha entre esperar e fazer acontecer, eu sei que é tênue, mais tênue do que nunca. Mas é que aqui tudo costuma ser deveras devagar, e como a ansiedade em mim reina, fico querendo correr. Eu sujo enquanto eles surgem a cada minuto, também renasço várias horas e sou alguém distinto a cada dia. Sem saber o que é, apenas sinto, sem denominações. Porque realmente acredito que querer dar nome a tudo, acaba levando-nos a uma “prisão”. Não desejo ser prisioneira de algo. Por que eu não iria preferir ter meu caminho criado por mim? É claro que prefiro. Ser dona de mim pra que as flores exibam seus cheiros e eu possa sentir cada um sem me preocupar com o resultado de uma boa essência. Algumas vão além do meu simples olfato.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Mente

A mente se agita, excita e pertuba
A mente se assanha, a menina se acanha
Eu corro, eu fujo, eu sigo só
Me sinto.
Minha testa fica aqui: franzida por horas,
e eu nem percebo...
A genialidade que eu não vejo
Cê vê, ele também...
Mas eu?
Eu não.
Me jogo no chão, me sinto suja
E se eu não sou, me torno
Incontrolável é a tal sujeita,
a que cito em momentos de loucura.
Quem me cura é também quem me adoece
O que me apetece é o mesmo que descarta meu interesse
observo dali tudo se desfazendo,
me causando revés, me causando estresse.
Jogo o olho pro alto, jogo pensamentos também
Encosto a cabeça nas costas
Me afogo:
Em nuvem, em pensamento, em azul
menos em água.
Quase morri dessa vez.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Nota do dia tal

Um mano em extinção, vítima de contradição. Humano contraditório, anormal... igual rato quando quer fugir do laboratório, alternar o cérebro por total: querem transformar-lhe em quê? Não sabe se tenta ou se morre, não sabe se o sangue por ti escorre. Pau, pedra, papel, tesoura! Transforme pau em casa, coração em pedra, papel em muro e tesoura em separador... Mas o que dói de verdade não mostra, aquela máscara que se encosta nunca mais quer sair dali. E dizem que a culpa não é tua, mas te julgaram se preferiu deixar o coração na mão d'uma meretriz, logo nessa noite que começou e nem precisa terminar. Na verdade não me interessa saber qual é a norma ou a linguagem culta, coloquemos em pauta alguma coisa, mas não a vida de uma puta. Vida dela. "Vagabundagi"... Mais confuso que o clima da própria cidade, senta num canto, acende um cigarro, dois, três... Viaja por várias horas sem o mínimo de dificuldade. Agitado, pensa em cair fora, voar pelo mundo sem se preocupar com as horas. Apaixonado, pensa em cair pra dentro, cada vez mais à fundo (mas é sem querer). Tropeços, é. Cara no chão faz parte. Meio louco? Nada a ver, louco completamente. Seja o que quiser ser, pode ser! Mas teu refúgio é arte, teu descrever. Pra entender o distúrbio da tua mente, nem o mais sábio dos sábios, nem psiquiatra. Psiquiatria? Psico nada. Quer compreender o fato? Faça parte da jornada. Lacrimeja, vai. Demonstra o que tu almeja, na beleza do teu choro, nascem outras certezas. Conta sobre a resposta de "Qual é a dela?". Correu, tá cansado. Quer se livrar do fardo... A irônica vida causa desconforto, aposte seus dados!


Dê valor a sua calma.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Hoje

Não, hoje não.
Mas só hoje eu não quero ter pressa. Quero esquecer da vida que me faz correr e pensar demais. Quero ser apenas eu, nu. Distante das obrigações, do dever de ser convicto. Talvez uma mochila com pouca roupa e uma estrada à perder de rumo é o melhor caminho. Hoje eu quero poetizar, ter tempo pra enxergar cada detalhe mínimo do céu e do lugar que me cerca, quero poder distribuir abraços mais longos e apertados, sem me preocupar com os segundos em que estou ali. Quero esquecer do tempo e discutir menos, poder amar mais, unir bons corpos. Hoje eu tirei o dia pra saber mais do que sou e pra desejar o que está ao meu alcance. Quero deixar claro que estou fugindo, pra muito longe! Longe de qualquer envolvimento superficial, de qualquer palavra dita no momento em que não me convém. Vou pra longe das complexidades, vou me aproximando do simples cada vez mais. Logo, tu verás somente o meu vulto distante, coloque teu óculos se preferir me enxergar um pouco mais. Mas estou partindo, refiz minhas malas. E tudo isso é pra fugir do que me é doloroso ou agoniante. Vou pra onde tenha sossego, vou procurar uma rede e um isqueiro. Falem demais, discutam, saturem-se. Cada um faz o que lhe convém, sem temor algum. Convém a mim ser livre, da forma como for, como minha alma pede.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quero me casar com a rua

Vi a cidade iluminada aqui do meu teto, percebi que o perigo da rua continuava. Mas eu sou dela e ela é minha, deito entre uma esquina e outra, como seios que me aconchegam. Não sou bandida, sou malandra. Maldade minha gostar do constante, porque até a rua tem fim. Também, nem todas! Há aquelas que me levam ao mundo inteiro e há algumas que não tem saída. Hoje eu quero escrever sozinha, fumar 6 cigarros, acordar com o despertador, andar com ela. Falei da luz da tal porque ainda sinto um certo medo, mesmo com essa iluminação toda. Adrenalina: a linha tênue entre o medo e o prazer. Me sinto louca. Recordações, lições, "ões" que a vida tece. Parideira de vida é a rua! Nasci em algum cômodo dela. Aprendi a andar segurando em suas paredes, pisando em suas curvas. Embaixo dos tetos que ergueram sobre tais, saboreei os melhores beijos e vivi os maiores dramas. Embaixo dos seus tetos aproximei-me dos mais perigosos corpos e falei verdades diante de quem esteve disposto a me ouvir. Tropecei nos seus defeitos, me acalmei nos teus nervos. Fiz dos teus bares os meus hospitais públicos, cura barata que nada cura. Lembro até de que tantos são os dias que a tua maquiagem é a lua, tu é a mais bonita das putas, a mais cobiçada. Ninguém lhe solta a mão e eu sou a tua maior fregueza. Andar só? Não, impossível se pra mim você tem vida. Escapo das reais ameaças quando estou rodeada do teu ar. Ah...! Se eu pudesse fazer de ti minha mulher, te prometeria amor eterno.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Céu azul e branco, coisa de sonhador

Escrevo enquanto caminho, e desejo caminhar sem que alguém me tire o saber desvendar. O céu continua lindo e há uma grande nuvem sob o Sol. Penso em alguém que mexe comigo e quase peço arrego e fujo, mas prefiro ficar. Me disseram que uso a razão, o que eu jamais imaginei que de fato usava, mas vez ou outra é necessário, vez ou outra... Parei para pensar no quanto penso e ajo com os pensamentos, senti-me um tanto surpresa. Olhei pro céu e queria continuar olhando, sonhando, desvendando mistérios. Acomodei-me no degrau do ônibus, acomodei-me em qualquer lugar. Aconchegante era qualquer espaço onde eu pudesse enxergar a imensidão azul unida ao branco que sempre estara acima de minha cabeça. Eu gosto da simplicidade de quem é o que é mesmo sem saber o que de fato é "ser". Gosto do olhar que me toca a alma sem mesmo conhecer. Um monte de "mesmo assim" que me leva a uma certeza, ou várias delas. Quiçá eu seja sonhador demais, mas não lhe atrapalho e nem vou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poesia lunática


Durante a noite eu me sinto tua
Tu se mostra clara pra mim
E eu me sinto nua
Na rua você me abraça
Torna desgraça em graça
Na praça me acompanha embriagada
e toda vez que lhe vejo eu penso: obrigada!
Traga pra mim mais noites inusitadas
Vem ser minha quando eu disser que não tenho nada
Diga que eu sou tua,
Diga em silêncio
Porque eu me sinto amada
Me torno criança no acalento
Teu brilho é o meu sustento
Eu deito no teu colo e me recordo da vida
Esqueço do eterno ócio, me lembro do que posso
Apareça às seis
Ás sete
Me reveste porque quando eu estou contigo
Tiro a minha capa de cafajeste
Penso até em fugir pro Agreste
pra ver se de lá eu te contemplo
e faço do teu corpo lunar
Tudo aquilo que chamam de templo
Peço-te que pra ir embora
Você nunca se apresse.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Perguntei-me

Quem sou eu?
Cheguei a conclusão de que sou malandro,
mas também sou poeta romântico.
Viajante parado ou em movimento,
sou filósofo da vida que optei por ser minha.
Um cafajeste longe do faroeste, talvez,
mas com o coração sempre em alguma mão.
Nem precisa ser das outras, mas na minha mesmo,
sempre que padeço diante das minhas loucuras.
Sagaz e burro, o que preferir.
Sagaz e burro no momento em que me convém,
prefiro ser sagaz.
À pensar no futuro, de vez em quando olho para trás,
porque passado de poeta nunca se desfaz.
Nasci com a ajuda da mãe e sou corajoso,
quase sozinho. Mas me acanho no ninho pra fugir um instante do perigo.
Sou a calma e o pertubo. Ameaça e proteção.
Yin, Yang... Turbilhão.
Cheguei a conclusão que sou um universo longe da extinção.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Amargo

Sentei no meio fio, tava observando a solidão dançar
Cheia de graça ela ficou a me olhar
Teu vestido rodava como se aquilo fosse bonito
ser rica de corações partidos...
Achei engraçado e saí a perambular igual menino moleque
Sem casa pra voltar
Descalço e sem documento
Quero dançar como ela dança!
Dança com os sentimentos.
Fotografei o rosto da menina
Pra não precisar ir tão longe em caso de saudade
Tava à pé, tava mesmo...
Talvez a aventura me trouxesse perigo,
mas eu nunca me assustei.
É por isso que eu tô aqui, agora.
A verdade é que escrever me liberta momentaneamente!
É como se fosse banho de sol pra gente de presídio e indigente.
E tudo isso pode não ter nexo, nem mesmo os sexos que fiz e refiz
Pra recriar cada verso.
Já que com a solidão não sei dançar,
puxei a amargura e a beijei.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Que e quem?

Escrevo sobre quem?
Escrevo sobre aquilo e quem eu posso matar a saudade e repetir a dose.
Os belos corpos, copos.
As melhores curvas, sobre tragos.
Momentos de ócio e momentos inesquecíveis.
Escrevo sobre a trilha que eu quero andar e sobre os caminhos que já trilhei.
O dia que não terminou porque eternizei em meus versos.
Escrevo sobre o que a alma me conta, sobre o que o espírito pede.
No fim das contas, torno eterno o que quero até que o poema chegue ao fim.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Bom dia de um dia inteiro

Bom dia, ô!
Hoje acordei com vontade de escrever
Sobre o que for
Mas que fosse pra você
De tantos versos que perdi
E aprendi a escrever
Recitei na minha mente cada um
Durante a noite e o amanhecer
Não me impeço que eu pense em ti
Na verdade ninguém me impede
É que quando cê tá longe, o coração pede
Para que você esteja aqui,
mas sem prece, sem pressa...
Nem com passe de mágica nem "forever"
Nada disso é o que interessa
Não uso palavra que não me expressa.
A tua boca despertou meu desejo
Olhei para os compromissos
E pedi carta de despejo
Que me mandassem para bem longe
E para mais perto do meu anseio
Peço que não se assuste não, morena...
Mas eu gosto do teu jeito,
Nem tão louca,
Muito menos total serena.
É que minha alma nada amena
Encostou na tua
Pegou um travesseiro
E foi pra rua
Acendeu tua alma com um só isqueiro
Ôh, dó...
Parece que por um dia inteiro!

domingo, 25 de janeiro de 2015


Poesia do presente passado

Fazer o quê?
Sente aqui perto pra ver
O que no mundo pode acontecer
Por quê, é insaciável a vontade de viver
De cada um que aqui sobrevive
Não importa o lado
Não importa por onde escorre tais lábios.

Há algo que se eterniza
na muralha concretada de uma "city"...
Mesmo se a vida for apenas uma passagem breve,
Peregrina
Pirata
Continuaria aqui:
Sem apressar o vôo e a aterrissagem
Na matéria-prima do mundo
Que oprime aquele que não tem coragem

E seja como for!
Pode ser imundo,
Submundo, qualquer mundo!
Saiba bem dessa vantagem,
Um mergulho no fundo profundo
a jornada permanece
A cada passo que se dá
A alma se fortalece.

Sem desviar do caminho
Deixando marca pelo muro
Não me importo se estou sozinho
Sigo sendo sempre puro!
Às vezes esbarro aqui
Em algum cruzamento,
Encontro alguém feliz 
De bom pensamento.

As vezes é por ali,
Alguém apaixonado, 
A vida não nos diz
Quem vai estar do nosso lado.
O presente nos cumprimenta,
Com seus gestos inesperados,
Esse é o bom da vida,
Somos constantes presenteados.

A cada segundo, uma nova paisagem,
O coração bate forte 
Por toda essa viagem.
Portanto, aconchegue-se, 
Sente ao meu lado, 
Vamos juntos escrever
Aquele passado desejado!

(Escrito com Sofia Ramos)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rimando piratamente #3

Contraste social dessa cidade, muralhas que se erguem em meio ao nada. Tomam conta de tudo como se fossem descaradas, alimentando a história de uma vida enrolada. Sorrisos mais despreocupados expressam de qual lado a alegria realmente está. Não é aqui, é lá. Quiçá! Árvore viva, resistência ao medo. Flor do cerrado, dona da beleza mais pura e rara. Poeta não é isso nem aquilo, poeta é poeta, não é piada. Compositor de canções faladas, à quem compadece a alma bem lavada. Pensamento soa e é livre, voa e segue pra longe. Há quem entenda e se aproxime...

Rimando piratamente #2

Teus olhos negros, meus olhos castanhos, minha mente se assanha só d'eu te enxergar. Meio estranho, mas é onde eu me acanho. Vejo o brilho dessa tua alma pura frente à minha toda escura. Rente ao meu corpo, essa tua beleza se tornou meu sinônimo de alteza, de repente... Teu corpo está no meu, envolvente. Pele escura, nua e crua, iluminada solenemente. De onde se cria toda essa volúpia interminável, inimaginável... Possui emoção da cabeça aos pés, não é invés, é certo. Não há nada incerto, aqui nada fica no revés. Quando se ajeita aqui, torna-se estreita e difícil de acompanhar. Dona da beleza imensurável, inexplicável, que me faz ficar na espreita, me desajeita (o tempo todo). Viver de confusão é como se fosse a minha reação, mas existem certezas que guiam o que eles chamam de "ter coração". Pra onde é que eu vou? Não sei. Também não me interessa agora, quando é o momento certo a gente percebe a hora. Pra cada incerteza a busca da solução, escrevo alguns versos pra ver se ninguém tira a minha razão. Fique sempre à vontade, sinta-se à vontade...

Rimando piratamente #1

Sonhador! Talvez nem merecedor eu sou. Mas quem se importa? Coração? Não, coração sempre deixa aberta a porta. Se cê quiser entrar, se quiser ficar, seja bem-vinda ou bem-vindo. Às vezes eu paro, mas continuo indo... Nem sempre sorrindo, pois eu posso estar banhado de saudade, ou não. Mas a realidade é que nem vou pedir opinião pra construir a minha versão, isso não tem nada a ver com dignidade. Eu sempre estou do outro lado dessa divisão, talvez a mais distante, onde eu me encaixo e vou bem mais além que apenas um instante. Só sonho o tempo todo e nem penso em aterrizar, porque se isso acontecer eu posso deslizar e cair no precipício. Não quero saber de resquícios do que me fez mal, quero olhar pra frente e ser mais corajoso que um marginal. Quero ter a astúcia não inventada, quero dizer tudo sem esquecer de uma só palavra. Pra quem é leal, eu desejo que seja mais que maioral, que não esqueça dos princípios e faça o bem, sempre sem olhar à quem, como mãe já dizia. Sempre que dizia eu refazia a minha ideia sobre o mundo, queria esquecer tudo de imundo e voar pra em seguida sonhar em paz. Aprendi a fazer isso sem depender de ninguém e à partir disso me tornar alguém. Não tem nada a ver com egoísmo, não quero que isso seja visto como ato de heroísmo, só quero que entenda o que eu quero transmitir sem abolir toda a verdadeira ideia. Dos fatos, dos relatos, das palavras em vão, inicio um novo caminho, ergo as mãos e agradeço à mais um tempo difícil que veio pra me fazer crescer e não cair, não dessa vez.

Embriague

Jogado na cadeira do bar
Meio desengonçado
Esquecendo do passado
Deixando a mente voar

Sobrevôo as loucuras
Falo de mim mesmo
E o fim de tudo isso
É quase igual ao recomeço

Cada situação é
Nada vivido em vão que
Faz com que tudo isso seja
Dissolvido em um gole de cerveja

Fermentação mental
Descontrole de emoção
Sinto todas as batidas
Que pulsam em um coração

Mas aqui jaz mais uma historia
Enterrada sem euforia
Fora...

Só não perambulo, sonâmbulo

Há horas em que o sono me perde
Não impeço que assim seja
Pois não perde-se mais rápido
Do que eu entre pensamentos
Entre quartos e paredes
Todos vazios entre si
Me acanho no meio
Perdidamente em cada devaneio
Vejo em mim um tal sorriso
Sem rima
Sem trilha
Ao canto
Reinvento cada história
Difícil de acreditar
Até compreender
Muitas voltas num vôo dará
E sobre arrepios
Escolhi não relatar
Somente em palavras
Essa minha forma de enxergar.