segunda-feira, 20 de abril de 2015

Flor murcha

Quero escrever sobre a forma como ela olha, sobre o jeito que seu quadril rebola, sobre o seu sorriso enorme e extraordinariamente chamativo. Contar pra ela do meu fracasso artístico e da vontade que tenho de jogar tudo pro alto, puxar a mão dela e ir embora, pra onde tenha praia. Ver o teu corpo escultural pegando bronze e brilhando mais do que as jóias reluzentes do mundo. Mas nega, é só o cansaço que me atinge e os limites impostos não me deixam levantar voo. Acho que eu entrei em estado de vegetação, já não quero muita coisa… Ou quero, mas não consigo com tudo. É que eu tô me sentindo um pêndulo sem limite, solto, vago… Quase merecendo o troféu de vagabundo! Se me chamassem de louco eu receberia como um elogio, porque sinceramente, o que sou não tem mais nome. Preta, eu não tenho dinheiro mas eu tenho amor demais, eu vivo confuso mas eu sinto muito. E se eu pudesse te ligar pra ouvir sua voz antes de dormir, eu faria, com todo o prazer. Esperaria você adormecer ao telefone, porque é normal… Mas eu ainda acho que eu só sei fazer tudo errado. Nega, a crise se aproximou de mim. Será que você vai estar aqui? Eu me cobro porque eu preciso ser bom demais em algo. Eu tento me incentivar o tempo todo, eu faço e refaço meus planos, eu “viajo”, mas nada têm se concretizado. Pergunto: onde foi que errei? Não sei, viu? Preta, queria que a maior certeza da minha vida ao menos fosse poder deslizar minha mão pela sua pele, aproximar meu faro do teu cangote e sentir seu cheiro. Até agora a vida só me mostrou o quanto ela é derradeira, essa é a minha única certeza. Eu, há tempos, já não deixo o meu pensamento em alguém, eu o deixo solto porque essa é a melhor forma dele não ser lúdico. Nega, queria que soubesse, mas não sei. É só um tremendo vazio.