Pra não ouvir o som da TV no momento errado, eu coloco música para tocar só pra mim. Acho necessário dar silêncio a mente quando ela torna-se ignorante ao meu respeito, já que é nela que tudo se dá início. Nesse momento eu faço o que quero: ouço um rock desconhecido e falo sobre alguma coisa, nada específico. Me convém pensar que a responsabilidade não mais sobressai e que acabou muito vivida aos 17 anos (por mais precoce que essa tal ideia pareça ser), agora, claramente é a hora de dar a devida atenção ao que eu porventura me esqueci. Nessa exata hora de fim do dia eu quero relatar o que penso, não quero deitar na cama e forçar um sono. No dia que provavelmente há de vir, eu quero fazer mais por mim, não quero fazer de minha mente uma escrava da pirâmide capital. Só não sou “alguém” quando deixo que me dominem, que abafem minha forma de expressar algo. Meu intuito não é vegetar no lugar onde estou, é fazer jus a tudo o que deveras eu sou. Mas ninguém além de mim é capaz de me dizer ao certo o que fazer. Num momento de estresse eu crio um desenho lúdico pra fugir um pouco (mas só um pouco) do que me é real, não quero interrupções. Se a vida tornar-se sem graça ou amarga, acendo um cigarro e dou um trago (no cigarro que eu quiser) que tudo passa. No momento sinto como se há poucos dias eu estivesse sentenciada em algo que jamais iria mudar, uma prisão perpétua… Eu iria me afogar no ócio dos agrados à terceiros. Eu iria, mas não me afoguei. E olha que eu nem sei nadar! Me safei. Aos poucos tudo em mim torna-se propriamente meu e não de quem quer que seja. Meu aconchego é quase um esconderijo, mas cá para nós que isso não me prejudica, é só a minha casa. Escravos do século XXI, suas mil horas dedicadas ao trabalho (e ainda dizem que é normal), tiram de você suas maiores preciosidades e jogam no espaço, mas você nem percebeu ainda… Quando perceber, peço que se revolte com unhas e dentes, com o que de fato for teu. Se o mundo permitisse que tudo desse uma pausa por algumas horas ou dias, creio que seria o necessário para que pudesse ver o que de fato necessita (e acredito mais ainda que não seja nada disso que costumam impor à cada esquina que a gente passa). Me disseram que calei mais que o normal, sei disso! Mas calo pra poder ouvir o que de fato penso, o que de fato quero e o que de fato eu irei fazer. Se eu me calar por muito tempo, não pense que tornei-me muda. Meus olhos estão atentos e calculistas, escolhi deixá-los sempre à frente de meus impensáveis lábios. Relato o que enxergo e vivo, no meu tempo.