quarta-feira, 29 de abril de 2015

Depois de ontem, o hoje

Tudo o que fiz depois disso foi me calar e refletir. É claro que acendi um cigarro no dia seguinte, olhei pra uma nuvem e a segui com o olho, vendo tudo da minha janela. Meu jeito calculista demais, viu dois lados d'uma história que tinha só um lado e segui o caminho mais difícil. Tão desacreditei que não pude enxergar quase nada quando vi que cê ia e sempre voltava, queria que minha mente usasse óculos pra quem sabe poder enxergar melhor e se convencer do teu sentimento que eu não consegui ver por completo, mas incompletamente eu via. Eu sempre meio termo e vivendo isso ironicamente, porque sempre odiei metades e meios. Nunca me convenci por completo de algo que eu pensava não existir, o meu sentimento mais fundo gritou lá do poço dizendo que cê gostava, sim. Talvez nem eu me gostaria, mas eu quis te conquistar, te encantar, te levar lá no alto. O que pra mim estava fora de cogitação, aconteceu. E quando estava em um canto do sofá e eu n'outro, pensava seriamente, calculava cada segundo, cada movimento teu pra eu poder me aproximar ou pedir que se aproximasse pra que eu pudesse, no mínimo, te aconchegar no meu abraço. Eu lembro sim quando lamentou a situação, me recordo de eu colocar a mão na cabeça e me preocupar por estar sentindo, cê encostou a cabeça no meu ombro por poucos segundos e sussurrou "desculpa...", mas eu só pude me calar. Apressei demais, pressionei demais, porque pra mim o meu tempo era pouco, e sentir que poderia ser a última vez que eu poderia lhe ver me corroía por dentro. E eu me retirava pra nunca mais voltar, mas cê sempre me puxava de volta. Eu achava tão bonito, porém, tão inacreditável! Tu sempre foi meu aconchego, mas eu sempre me afogava. Eu não parava nunca de rever cada cena de novela que a gente cometia, na minha mente tudo muito vivo, e eu agoniada porque não sabia onde ia chegar, mas já me doía, digo que por medo e não por sua causa, mas pela minha, talvez. Queria dar muitos passos além do que eu dei, queria que na tua frente eles fossem suaves. Engoli muito choro, viu? Mas liberei vários deles, e quando isso acontecia eu quase não parava. Pausa pro meu choro, pois eu desacreditei da minha própria felicidade escancarada, igual sua janela estava pra eu entrar. Perdi as contas das vezes que afoguei o que eu sentia só pra não demonstrar e pensar que eu era forte demais pra me derramar. Eu não quero que seja tarde demais e nem que seja a última vez, assim como o dia que pra mim nunca acaba e o Sol pra mim nunca vai embora, sempre está ali podendo iluminar o que quer que seja, inclusive meus passos e os teus que vez ou outra e quase sempre costumam se encontrar.