Vi a cidade iluminada aqui do meu teto, percebi que o perigo da rua continuava. Mas eu sou dela e ela é minha, deito entre uma esquina e outra, como seios que me aconchegam. Não sou bandida, sou malandra. Maldade minha gostar do constante, porque até a rua tem fim. Também, nem todas! Há aquelas que me levam ao mundo inteiro e há algumas que não tem saída. Hoje eu quero escrever sozinha, fumar 6 cigarros, acordar com o despertador, andar com ela. Falei da luz da tal porque ainda sinto um certo medo, mesmo com essa iluminação toda. Adrenalina: a linha tênue entre o medo e o prazer. Me sinto louca. Recordações, lições, "ões" que a vida tece. Parideira de vida é a rua! Nasci em algum cômodo dela. Aprendi a andar segurando em suas paredes, pisando em suas curvas. Embaixo dos tetos que ergueram sobre tais, saboreei os melhores beijos e vivi os maiores dramas. Embaixo dos seus tetos aproximei-me dos mais perigosos corpos e falei verdades diante de quem esteve disposto a me ouvir. Tropecei nos seus defeitos, me acalmei nos teus nervos. Fiz dos teus bares os meus hospitais públicos, cura barata que nada cura. Lembro até de que tantos são os dias que a tua maquiagem é a lua, tu é a mais bonita das putas, a mais cobiçada. Ninguém lhe solta a mão e eu sou a tua maior fregueza. Andar só? Não, impossível se pra mim você tem vida. Escapo das reais ameaças quando estou rodeada do teu ar. Ah...! Se eu pudesse fazer de ti minha mulher, te prometeria amor eterno.