Enquanto eu observo a vida e ela me observa,
aqui, amor não tem de sobra.
As noites sem Lua costumam ser não muito aconchegantes.
Mas eu ainda quero ser poeta, mãe! E eu serei.
Ainda vou viajar o mundo, seguir mergulhando fundo,
em cada alma, em cada mar.
Hoje eu me lembro da vida precoce-antiga.
Do que me importa, do que esqueci e do que quero de volta.
O tempo não volta, lancei flores por aí, colhi pomares.
Quero meus passos serenos pra alcançar o que almejo.
Dar valor a cada sorriso que vejo e causo.
O que será, será... O que será?
O que é que vale?
Tantas horas jogadas no lixo,
esforços soprados ao vento,
colhendo e deixando morrer,
algo precisa mudar.
Mas hoje, só quero que o tempo não passe,
que algum corpo me aperte e ofereça um bom abraço.
Quando a vida corre demais,
quando você sente que lhe falta tempo,
começa a ver o que concretamente tem valor e,
consequentemente, costuma perceber aquilo que é supérfluo.
E são tantas as coisas aparentes e superficiais...
Não devo ser profunda pra mergulhar em algo tão raso demais...
Só sigo viajante, de codinome Pirata, e não é atoa.
Navego em todos os lugares até encontrar melhores mares,
me afastar dos males e concentrar-me em mim mesma.
Meus pés estão no chão, no ato.
No fim das contas, só quero mais liberdade.
Nada de arrumar as malas e sair de casa,
nem mesmo quero abrir mão do aconchego do abraço apertado de minha mãe depois de um dia cansativo.
Hoje, especialmente hoje, eu quis chorar.
Não sei ao certo se seriam lágrimas de alívio,
por ver o tempo passar,
ou por simplesmente saber quanto tempo ainda me resta para criar.
Hoje senti saudade até da nega que mora longe,
da prima-irmã que mora no meu prédio e quase não a vejo,
da irmã melhor confidente que em Minas Gerais está, com meus dois sobrinhos.
A vida vai passando, saudade dentro de mim ela tece.
Hoje eu parei para pensar.
É que eu sou assim.
É um mundo que gira dentro de mim.