quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O olho

São tantos olhares...
Insatisfeitos
Impacientes
Irreconhecíveis.

Irresistíveis de não se olhar
Ferramentas da percepção
Porta pra alma
Virtude dos que percebem

Paixão
Germinou pela íris
Percebeu-se pela pupila preta
E pálpebra que palpita

Pura simetria abstrata
De onde se absorve
Toda a pureza de uma alma
Cara lavada

Te contar que o certo é único
Que verdade existe
por ter quem nela acredite
E é assim que tem surgido:
Como simples olhares que se cruzam.

domingo, 16 de novembro de 2014

Noite

As pessoas esperam as horas
Mas as horas não esperam as pessoas
Caminham respirando garoa
na solidão de uma vida atoa
E segundo o primeiro mundo
Isso aqui não pode acontecer
Mas eu quero deixar bem claro:
Palavras clareiam uma vida rasa.

Trago de volta a emoção...
Comoção
Libertação
E crescimento.

Falo muito de sentimento
e me atrevo em estradas
Pois nada do que eu posso dizer
vai ser escutado por qualquer um
A rima que eu escrevo aqui
é pra deixar minha mente fluir
E com sabedoria sempre expandir.

O universo
As coisas inversas
e o inverno.

Um sorriso é simples demais
Pra espalhar por aí o que tenho
Eu quero é mil gargalhadas
O que é puro eu não detenho.

domingo, 9 de novembro de 2014

Prefácio sobre humildade

Onde dinheiro é prioridade
eu dou a marcha à ré
E pego o caminho para a liberdade:
rua da humildade

Onde poder aquisitivo
de tão insignificante
nem se compara à saber trilhar com luta e executar bons passos
Atos de boa conduta

Aqui eu retrato a realidade diferente: sonhadora, nua e crua, inocente
E não me importa
se sem dinheiro eu não compro o vôo
pego o material que tenho e construo minhas asas e a de muita gente

De repente, fiz da rua meu lar
mesmo tendo casa
só pra enxergar além
do meu próprio mundo
ver e perceber que quem tem humildade é quem realmente sabe o que é aprender enquanto se vive, sem se corromper.

domingo, 2 de novembro de 2014

Pacato infinito

Queria ser o infinito teu
Queria ser o infinito que sou
Quando está por perto
Queria ser o inverso do que transpareço
Porque hoje, mais que nunca, padeço
Na minha própria culpa que talvez nem tenho

Queria ser do contra
Sobre meus medos
Na ponta dos dedos com uma folha na mão
Queria ser constante tanto quanto sou
Quando está por perto
Sou o infinito na simplicidade da tua presença
E infinito na complexidade do meu desejo que não cessa

Queria esquecer
E não quero
Espero o que o destino traz
Porque aqui não jaz
É vivo e claro
Que nem pôr-do-sol...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Seu nome

Três vogais
Voz trêmula
Sagaz...

Aqui não jaz
Vive
Duas consoantes

Soam ressoando
No abrigo de quatro vogais
Quatro paredes gritantes
Coração

Ressoantes consoantes
Do antes e depois
Do que eu deixei

Agora...

Mais uma hora
Depois da aurora vêm
Vejo que sou refém
Do sentido das minhas palavras

Pensamentos consentido
Ou sem
Do que jaz e vêm
Como quem não quer nada

E quer que além da aurora
Surja a tua chegada
Repleta de alegria em alvorada
"Amor a sabedoria"

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cálice

Porque hoje eu vou usar palavras pra te confundir
Difundir meu céu no teu
Até a gente dobrar a esquina
querendo voar por cima do breu
A noite traz a desorientação de quem se sentia orientado
Onde as pessoas procuram chamar a atenção e encontram o seu prazer em momento

Ruas cruas
Pensamentos nus
E o poeta aqui:
Cheio de palavras e devaneios soltos
Cura com anestésico natural
Ou não cura nada com fumaça silenciosa...

Bons fantasmas desses meus sonhos
Hão de ir e voltar toda noite
Sabendo que nem sempre as palavras se encaixam na realidade
Eu vim com o espirito armado todo liberto
Ironicamente cheio de liberdade
Tirano...

Há quem sobreviva de fantasias e morre todos os dias
com o pensamento coberto de interrogações
Mas é só mais uma dessas condições que a vida dá
De viver na agonia e querer parar de matutar
No cedo ou no tardar pra ver mais uma monotonia
raiar além do que chamamos de horizonte...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Corsário

Pirata preso na embarcação
Não avista terra firme
Parece uma cena de filme
em que o porto seguro não está ali, adiante
Soltos pelo ar...
Fiz poesia de frente a maré
por que o teu silêncio me falou
Al, gu, ma coisa que eu não sei dividir
Meio monossilábico
Metafórico
Tenho medo de escrever
e tu ler
Tenho medos.

Eu tenho é medo do próximo enredo
Porque olhares se atingem sem nem mesmo planejar
sem mapa, sem bússola
Involuntariamente, de repente
algo sumiu da minha mente.
Desminto.
Por que sorrir amanhã
se eu posso sorrir hoje?
Mente aberta a uma nova verdade
jamais perderá a sabedoria novamente.
Mas hoje é dia de prosa,
até quando o excesso de corpos em um mesmo lugar
não me atrai e o cheiro de cigarro faz arder o meu nariz.
Nas entrelinhas de uma certa confusão,
permaneço quase intacto
me tornando intocável instantaneamente,
depois desisto.

Resquícios de porra nenhuma

O celular mais uma vez despertara o meu sono frustradamente ou alegremente cedo. O gato já me acordava antes, isso é claro! Levantei da cama, vesti a calça preta e lá estava o isqueiro grande e amarelo. "Meu isqueiro..." pensei. Nada era tão morgável do que acordar e já pensar em acender mais um fumo desses. Cômico... Descobri que minha vida era comicamente repetitiva. Cazuza até citou e me identifiquei: "eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não pára...". É, meu caro... Realmente. Concordo plenamente contigo, que Deus o tenha (seja lá qual deles, seja lá qual for o seu e se ele existe), realmente não sei se Cazuza era ateu ou não. Então, vamos lá: Levante-se, escove os dentes, não penteie o cabelo e saia em busca da santa carona de todos os dias. Vá para a escola, coma sozinha, acenda um cigarro e atravesse o sinal. Seja obediente, mantenha boa postura com essa cara monótona que você tem. Pra quê? Porque quando a gente experimenta uma mudança, às vezes até quer voltar a ideia inicial, o que obviamente é o meu caso. Mas, até hoje eu não sei se isso realmente ocorre, não descobri, mesmo que eu esteja constantemente em busca de inúmeras respostas para desfazer as incógnitas que vez ou outra me atordoam. Muitas pessoas aumentam a minha vontade de sair correndo, pegar uma dessas garrafas de vinho, um pelé e fugir. Com uma moto, se eu tivesse uma. Não sei quando que isso começou, mas tenho me sentido mais confortável quando estou só. Ora odeio ser assim, ora amo. Loucamente meus pensamentos fluem e eu dou corda a isso. Todos vêem como loucura ou um certo exagero, enquanto isso eu bebo cerveja, porque vinho bom está bem caro! Pensem o que quiser, fo-da-se essa porra toda. De verdade, foda-se. Eu gosto dessa palavra: foda. Delícia... Foder! Sou à favor. Mas, vamos lá. Convenhamos que pessoas mudam para agradar outra pessoa, pelo mínimo que seja. Talvez nem isso, é que sempre estamos em metamorfose. "Nossa, como você mudou" ah, sério? E você sempre foi a mesma pessoa a vida inteira? Papo furado... sai pra lá.  Eu nem tenho carro ainda, nem penso em ter. Na verdade, quero uma Harley Davidson bem louca. Fazer jus a minha peregrinação mental, vagar não somente com a mente mas com o corpo inteiro.. Quem sabe? Mas o meu salário é mínimo, então eu tenho que estudar ao invés de estar aqui, relatando o nada.Eu quero viajar o país inteiro, ter o vento soprando velozmente no rosto, fugir da polícia, fugir do mundo, fugir da vida. Quiçá! Estou te contando isso por que eu penso nisso toda noite quando quero jogar tudo pro alto e cair fora dessa cidade. SÓ. Solidão. São Paulo. Mas, não gosto de solidão exagerada, então, aqui já está de bom tamanho... Ou não, talvez litoral, Rio de Janeiro, mulheres sensuais demais, malandragem e samba... Ô cidade maravilhosa! Aqui não tem praia. Porra. Caralho. Deveria! Mas, é no centro do país... Resolveram transferir toda essa baboseira de políticos para cá. Claro que eu ainda nem havia nascido, mas cresci no meio disso. Não irei mentir que sei falar sobre política, mas não me agrado mesmo de nenhum deles. Ê laiá... a luta do povo contra a corrupção que nunca acaba. A cidade cheia de Fuscas e Brasílias. Ainda não aprendi a gostar de sexo casual, talvez ainda é cedo pra isso. Mas, às vezes eu penso que a hora certa é a do meu relógio e só. Em insanidade, até beijo sem sentimento. Porém, entretanto, com tudo isso... É raro. Ô, yes! Pessoas falam demais, apontam demais, exageram. Voltei para casa enquanto pensava nesse bando de nada, como eu disse em meus pensamentos, à quem quer que seja. Abri a porta, entrei, a gata escalou minha perna, joguei a mochila no canto, sentei e bolei o meu cigarro. Acendi e vi aqueles pensamentos indo e voltando, voltando e indo. Talvez eu não saiba de nada, nem escrever, nem fumar, nem fazer sexo, nem conquistar garotas, nem porra nenhuma. Posso saber de tudo, no mínimo, na verdade. Aprendiz, não é? Talvez. Acho que essa vida é um eterno talvez. Ou só o futuro. O não a gente já tem, o sim a gente consegue, mas talvez. Na verdade, eu acho que é pura insanidade esquecer-se de algumas coisas. Olha, prefiro nem citar. Engraçado é quando a gente se acomoda, aí tudo fica escroto mas aí você não está nem aí mais. Engraçado, também, como o meu sabor preferido de cigarro não é mais Marlboro. Cigarro pra mim é uma morte em vida. Pelo menos eu, quando fumo, mais quero. Por isso eu me distanciei dessa boa praga. Mais ou menos, na verdade. Porém, além de tudo, o que mais me faz tirar sarro da vida é o fato de que em Brasília tudo é claramente momentâneo. Observa só: vá num bar disposto a trocar uma idéia. Alguém aproxima-se de você ou está no mesmo grupo de amigos, mas ainda assim para você ela é desconhecida. Do nada os assuntos se esbarram e aí trocam a maior ideia do mundo! Ela te diz coisas da vida e sai. Você se encanta ou não e nunca mais vê a pessoa. Aqui a gente meio que conhece todo mundo e todo mundo se conhece, de vista ou pelas companhias. Como ir a algum lugar em Brasília no centro da cidade e não enxergar um rosto conhecido? Tudo passa tão rápido... Escorre. Meios termos que agradam sempre surgem, alguns "quases" nada que me levaram à extremas percepções do que é viver coisas como se sonhasse acordado e em algum momento da vida acabara acordando por que a realidade muda.  Há tempos eu não via sentido e nada. Acho que não devo ver sentido em tudo, também. Pra quê? Deixar essa vida correr como ela quer, não correr atrás dela por que ela corre atrás de mim. Faz sentido? Não faz. Nunca fiz. Não pretendo fazer sentido. Não sou fábrica de sonhos, viajam cá e lá comigo. Em alguma parte do caminho chove em cima da açucarada ilusão que se derrete. O que me consola é que aqui é Brasília e só vive aqui quem transpira momentos e situações momentâneas que ficam gravadas na memória e vez ou outra a gente assiste esse filme sem início e fim que a própria cabeça é o roteirista. Já tatuei tanta coisa no meio disso tudo que na minha alma eu não tatuo mais nada por que não cabe, resolvi fazer uma tatuagem de momento, aos 14 anos de idade e eu não me arrependo, não mais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Retrato

Escrever na rua. Observo toda essa frieza urbana, inevitável. Sei lá, tudo lá e cá o tempo inteiro e ninguém repara. Ou repara. Pára, olha ao redor, senta, fuma. E a vida vem e vai... todo segundo é raro, necessariamente. Mas, tem coisa que passa e ninguém vê. Madrugada traz muita coisa que fica jogada por aí, por nada. Por um acaso. Falta de percepção. Tudo pelo chão. Em vão... Metrô segue em rapidez, pessoas se erguem sem leveza e vão. Tudo um grande espetáculo pouco assistido. Reparado. Mas quem sabe tudo é sentido? E se tudo fizer sentido? E se sentir for tarefa descomplicada? Acordar é, tem despertador. Tem galo pra cantar. Tem Sol pra nascer! Ah, mas quem diria? Enquanto eu dizia o que ia e vinha, você sorria. Isso é normal. A estrutura não demonstrou o caos. Velocidade. Com que acontece, se vai, emudece, esquece. Deixa pra lá, ó. Papo besta! Pensa que não pensa e auto se afirma? Pra quê? Por quê? Máscaras sem graça ou um ponto pra disfarçar toda essa história mal contada que em versos foi planejada? É que ninguém sabe. Nem eu. Nem tu. Nem eles. Nem os pontos finais ou as vírgulas. Todos eles tem uma história pra contar e não pra colocar em outdoor de diversão. Escrever pelo nada não é o que ocorre. Nas minhas palavras escorrem tentativas de inúmeros. Eu quero um céu azul, sim, eu quero! Pra contemplar o dia inteiro. Um sorriso bem longo "pra aliviar o stress"... Não se pode dizer muito, não se pode fazer algo. Mas no fim das contas, tudo vale. Até o nada a ver. Até o que é viagem e devaneio. Dizer nada com nada pra ver se no fim das contas diz tudo. É ditado, eu relatei.

sábado, 23 de agosto de 2014

Caos de máscara

Nos versos de quem só sabe escrever sobre o céu
Reescrevendo linhas tortas
Histórias compostas sem borracha
Onde nada se apaga
Nem passa
Nem sei da próxima hora

Como aprendiz que diz o que pensa
Não escolho o meu caminho
Deixo ir
E até mesmo quando me assusto
O que escrevo virá assunto

Ressaca também causa poesia
Embriaguez sem amargura
Sem saber por que o amor cura
Pra não perceber que a vida é dura
A beleza é nua e crua
Onde crio esse último verso
Mente dispersa esqueceu o caos...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Breu

À noite
O ar de solidão
O cronista sem ideia
Desce bêbado e sem razão
Pela multidão de sólidos

O sono é dia
De noite é tormento
Escreve o que vive no papel do bolso
Escrever cura e a vida foi feita para nós

E quem são eles?
Talvez um novo início de uma velha história
Onde cada dia é um
Onde tudo é memória
Não anda
Somos todos reféns de histórias mal contadas.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Muros

Há vida após este segundo
Há sorrisos após esta hora
Há eternidades momentâneas
Por debaixo dos panos
e dos planos.

Um não
Abrem-se as portas;
arrombam-as dentro de si;
se fecham.

Vagar por esse céu,
claro e escuro ao mesmo tempo.
Quebram-se os muros.
Caminhamos sobre os escombros,
chegaremos em algum lugar.

domingo, 17 de agosto de 2014

Voar

Vou acender mais um cigarro
fumaças ecoam pra levar
o que eu queria movimentar
meus lábios para dizer
Vai me pedir para explicar
como os gatos sobem ao telhado
e eu não saberei o que falar

Queria voar
ou fazer qualquer coisa
que por 1000 momentos
me trouxesse uma alegria
que de tão grande
me fizesse explodir

E é tudo tão louco
um eu é tão insano
que...
não dá pra saber onde é que me acanho
Ponho a vírgula
as reticências
o ponto final
ou mais uma palavra
que me fizesse revirar todo e qualquer instante
Que me transportasse daqui pra um lugar distante

Criar asas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Afago

Quarta-feira de sons baixos,
No meio dessa bagunça eu me encaixo.
E encaixo alguém, também.
Sorrio até fechar os olhos,
sem contradições nessas tantas palavras
que nem aos poucos me detém.

Mente alta que não se aquieta!
Se acontecesse por um segundo,
me perco nessa linha reta.
Diria que isso é um milagre,
e não coisa de gente certa.

Daqui até o fim,
mil relatos sobre uns tais pensamentos.
Mil relatos sobre meu dia ruim.
Matuto cada momento,
 que ainda não foi levado pelo vento.
 Que vem e depois volta,
como se tudo não fosse bem carregado,
e vivesse em escolta
por mim, aqui por dentro,
onde hoje já nem venta...

A Luz,
seja do Sol ou da Lua,
contando histórias da liberdade,
dessa tua brisa na rua,
desse teu olhar nu.
Dessa tal liberdade, nua e crua.
E eu aqui com os meus impessoais,
pessoais demais que estampei,
em suas vitrines preferidas de retardatários,
pra quem pouco já ousei.
Pra que não ousassem ser tão banais,
À ponto de sermos tachados de otários.

Aqui jaz palavras que causam embriaguez de insanidade,
sem qualquer seriedade,
sem miséria pra sociedade.
É que eu sou louco,
quem dera eu fosse pouco.
Ou não!... Que seja.

Costumava dizer que caminhava de olhos bem abertos,
Já sabia que o meu caminho não era o mais correto.
Havia sílabas me avisando sobre a síntese do tal perigo:
"Não entre", "tóxico", "risco de tensão".
Simplesmente, perigo.
Já me julguei ser cheia de razão...

Me vê estranha porque não sou daqui, não.
Mas sentou ali,
bem ao meu lado,
como quem só queria descansar,
sem o mínimo de razão
e se livrar desse afago onde eu me afogo.
Vamos por lenha contra a despedida desse fogo...

Mas a regra é clara:
veja só o toque.
O reboque que eu fiz,
longe das redias desse teu nariz.
Toque dos lábios,
do corpo inteiro,
ou apenas das mãos...
Nada em vão,
Utilize toda a sua atenção.

Se coloco muitos pingos em "is", pouco importa.
Mas eu sempre deixo aberta a porta,
pra quem quer se acomodar e despedir.
Pedir mais um trago pra depois seguir.
A gente se acomoda,
esteja aberta ou fechada a porta,
caminhando em reto,
ou em linha torta.
No final das contas é tudo questão de horas,
poucas ou muitas horas.
Seja pra quem o Sol hoje nasceu quadrado,
ou em forma de bola.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Drama na trama

Talvez seja maior do que penso,
Daquilo eu falo, bem longe do meu afago,
deixa meu olhar além do horizonte,
suprindo minhas necessidades.
Trazendo respostas sem explicações,
Indo além de toda e qualquer que seja as emoções.
Um dia me disseram que eu deveria aprender a calar-me.
Não aprendi a mudar a mim por aí nessas esquinas
Zerando incógnitas e buscando outras.
Assim que eu sou.

No meio do eu,
escrevi uns versos bem bagunçados,
Diferente dos teus.
Saudade aperta antes mesmo de chegar,
sendo breve em nossas tardes nada leves...
da correria à calmaria,
do meu ponto de vista e dos outros,
Sorrisos são meu tesouro!
Nem pensar a gente tenta.
Nem pensa, a gente vai lá e inventa.

Não se esconde do que queremos ver,
Algo pode nascer, que seja!
Vista pro horizonte eu quero
onde ninguém me aviste,
é o que espero.
Aonde o Sol ou a Lua chega,
e é bem mais belo de se apreciar.
Me assista, veja só!
Abrindo o livro que escrevi em vida,
como peregrino quando quer dizer sobre sua ida,
como quem jamais voltará a terra visitada,
Ouça o som de olhos fechados!

Talvez seja covardia, quiçá...
aprendendo a ser sozinho,
pra errar e acertar.
Pra desviar-me dos espinhos,
que eu ainda não aprendi a me esquivar.
Colocar na mochila mais um vinho e algumas lembranças,
colocar em cada bolso um trago das minhas esperanças.
Porque no frio da noite eu continuei com a camiseta de canto,
jogada na cabeceira da cama,
assistindo todo esse meu drama,
mudando mais uma trama.

Daí eu escrevi esses tais versos,
que não nos dizem nada,
Pra dizer que eu não sou o inverso do que meus versos falam.
Mas se eu disser que sim, que seja.
Amanhã é outra coisa.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sinais que confundem da cabeça até o coração

Não quero escrever sobre ela, pois "ela" é o meu próprio medo.
Suas interrogações que também são minhas, me chamam para mais perto. Sinto-me cego, não sei mesmo qual caminho é esse.
Mas eu continuo...
é como se eu estivesse navegando mar à dentro mesmo desconhecendo o meu destino. Inesperadamente inesperada.
Sorri muitas vezes por causa dela,
sorri da cara do meu próprio medo.
Não sei se eu deveria, mas...
Sorri.
Agora vejo que nem mesmo o meu conselho eu segui,
pois não te deixo dúvidas.
Já o seu rastro,
faz com que eu enxergue milhares de interrogações
(quando não tapo os olhos pro que não quero ver)
Não tô aqui pra preencher vazio,
minha cara não tá pra diversão.
Penso, às vezes até me arrependo.
Vou à fundo, sinto, mergulho.
Mas, sempre de olhos fechados que é pra ver até onde o sonho alcança.
Noites sem dormir por causa dela, eu não tive.
Tive manhãs, tardes e dias sorridentes.
Tem vez que a gente acha que tá caminhando e realmente estamos,
mas tem caminhos que não nos levam a lugar algum e levam,
ao mesmo tempo...
No teu caminho eu quero ver um aconchego,
um amor sem faltas e incontáveis sorrisos.
Quero que esse seja o seu caminho.
Eu não sei bem o por quê de tudo pelo que busco respostas,
muito menos a resposta do "por que te quero tão bem e que mal isso tem?".
Tem coisa que eu gosto de observar, da mesma forma que eu gosto de ficar aqui no meu lugar só te observando e me enchendo de encantos e mais encantos. Eu posso até estar errada... quiçá eu até atirei no escuro. De todos os medos que descobri, acabei por ver que escuro não faz parte do meu medo. Sempre fecho os olhos e vou, sou o meu próprio guia. Independente de não saber onde chegar, eu fecho os olhos e vou. Eu sempre fui assim...

domingo, 13 de julho de 2014

Voltas que o mundo dá

Vá!
Mas não tarde a voltar.
Não por que pode ser tarde,
mas eu não quero que demore.

Deus é o artista do todo,
pintou o céu de aquarela, à luz da Lua
quando ainda era 06:00 e pouco da manhã.

A coisa mais linda que meu olho contemplou,
corpo e alma... todos contemplaram.
Tudo era um caos até ali.

O horizonte parecia uma porta de entrada
que me levasse a algum paraíso.
Por isso continuei ali: em meio ao relento e o tempo.
Comecei a gostar de música calma,
mais uma vez...

Não ao arrependimento por ter acordado às 03:20!
Tudo corre para o seu devido lugar,
girando em torno da consciência.
E a Lua também, girando com o universo...

Permaneça, até quando o Sol se pôr novamente.
Eu devo nunca me esquecer desses minutos.
O momento em que a minha mente se iluminou
de uma forma tão natural
que até brilhou ao vagar por aí.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sobre pressa


Pra cada coisa, um refúgio busco. O tempo funciona como um enorme fardo aqui em minhas costas, desejo mais algumas horas a cada dia. O poder de vencer permanece em minhas mãos e a ansiedade por chegar a algum lugar, grita com minha alma. Nada é tão certo além daquilo que nós sabemos sozinhos, cada um possui a sua própria certeza sobre tudo. Quando sonho demais, logo procuro por acordar, só pra me aterrizar no solo. A vida é bomba-relógio... Todo dia eu cumpro uma missão, só pra poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, mesmo que isso aconteça às 5:00 da madrugada, por algum motivo. Não me esqueço que a tal "bomba" pode explodir a qualquer momento. Crise existencial tem lá seus motivos, quaisquer sejam eles, assim como cada acontecimento, mesmo que eles durem um segundo ou um dia inteiro. Faço do meu jeito por que não me preocupo se incomodo, meu mundo sempre falou mais alto... ou melhor, gritou. Muito do que está a minha frente, não me convém. Vez ou outra, não. Sempre arrisco. Não me impede a nada o tal do perigo, minha sina é correr risco, risco em tudo aquilo que compoe uma vida ou várias delas. Sigo perdendo o medo por aí e ainda ou apenas só me restam resquícios do que um dia foi o meu medo. Nem corro, não gosto da velocidade... à não ser fisicamente, se é que me entende, 100km/h na estrada é puro prazer. Minha alma eu deixo-a vagar na sua própria velocidade, com calma ou não. Prezo sempre pelo lento. No momento em que ajo vagarosamente, faço isso por que preciso sentir e saber o que se passa e até onde isso vai. Deito na rede, acendo o meu cigarro, filosofo sobre minhas próprias dúvidas na companhia de quem brilha todo dia pra trazer tranquilidade igual Maracujina. A rua é a minha melhor amiga, tatuo nela todas as minhas lições. Chamam de arte a minha forma de iluminar o mundo. Sou mesmo artista, artista da minha própria vida, que vez ou outra insisto em borrar, mas é sempre sem querer. "Tudo tem uma razão", é. Cômica ou puro drama, quiçá! Vou viver e já vivo. Intensidade não é sinônimo de corrida, é saber aproveitar. Sentir tudo, sentir nada... Mas, sentir, ver, observar pra absorver o que devo. Tudo é aprendizado... Aprimorar os muitos sentidos, isso faz parte. Tudo faz parte. Não corro, dessa vez eu vou, mas sem pressa. Se é pra vir, venha... seja lá o que for.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tempo não tarda a passar

¿Qué es la vida?
¿Qué eres?

Quando digo, trata-se logo a pensar no mau
Mas o que esperas de ti
é realmente normal?
Creio que não...

Ah, nunca és
Que dirá então sua mente toda vez que olhar em direção aos céus?
No alto vê-se as estrelas
admiráveis são de se esperar
e aparecer...

Então, lo que dices tú alma?
¿lo que dices?
Não sabes dizer
quem dirá então sobre o entardecer
pois, as horas voam em meio ao caos
Onde tu buscas paz, será que encontra?
¿Sabes lo que es esto?

Ó céus...
mergulho em tua calma como se fosse um mar
pra lavar essa alma de todas as coisas más
e dos poréns
nem que seja por um mero segundo
e mízero...

O tempo é curto,
se não, grande
¿Qué está sucediendo?

Ah, à minha vista passa
quando nem sempre vejo
ou talvez não quero enxergar
é que vez o outra o tempo acelera demais
o coração vai junto e...
é tudo questão de segundo

A noite passou que nem vi
parece até que eu estava ali
e distraído
só observando o céu
enquanto as estrelas brilhavam
Brilhou que eu nem vi.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Tudo solto inacabado

Do Museu Nacional de Brasília

Enquanto a cidade não pára, tudo o que faço é sentir sem deixar ir. Tudo profundo, exagerado. Talvez eu pense mais do que devo, mas só talvez eu não saiba se esse caminho realmente é estreito. Provável que eu viva em busca de compreensão, do parecer fazer algum sentido, da reciprocidade. Não é nada com cara metade, falo-lhe sobre realidade. Eu vivo em liberdade, mas ao mesmo tempo os meus olhos enxergam além da individualidade. Prisão não óbvia. Nunca fui de fazer sentido, nunca fiz sentido, não serei sentido quando mergulhar em ócio. Sou ouvido, escutado, mas não sou compreendido. Agir de modo esperado, o que é isso? Busco poder sentir a vida, vivê-la intensamente, mas algo me contém, me prende. Permito-me constantemente, pois tudo acontece de repente. "Só pode falar de amor quem ama", falo para mim mesma sobre tal, escuto à mim mesma, fujo quando posso e permaneço quando devo. Tudo incontível... Busco o controle, logo vi que era impossível controlar aquilo que sou. Rio do meu próprio fracasso, acho cômico. Ficam lembranças leves, vagas, soltas no passado tentando arrombar a porta do presente e mudar todo o futuro, mas eu não deixo. O susurro do tempo é calmo e as palavras são utilizadas instantaneamente como doses de ilusório. No breu dessa noite tudo muda, no breu de todos os dias. Vulnerabilidade se manifesta quando penso. Ô, se penso... penso até demais! Chega a ser tamanha tal vulnerabilidade...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sacomé, amor... momento

Daqueles "filmezin" que passa na mente
sei bem...
Eu me recordo
concordo, plenamente
entre os meus tantos versos e incertezas
Sei que o medo me detém, às vezes
(disso eu tenho certeza)
mas a gente ergue a cabeça
sem pensar duas vezes
disso eu também sei...
Sobre a Lua, eu conheço
como um poeta conhece seu verso
Mesmo que inverso
escrito de trás para frente
À fundo, só mostrando o seu mundo
mergulhado nas próprias sensações
afogando nos pensamentos
Observo tamanha beleza sem rir ou chorar
mais rio do que choro
Entre pigarros e sarcasmos
Eu olhei para as estrelas
elas ainda nem estavam lá pr'eu me acanhar
naquele brilho distante
Não bastou muito tempo
pra que eu conseguisse ver
não precisei de muito tempo
apenas pra perceber
que a gente tem que dar amor
e não preocupar-se em receber
nem em tê-lo de volta
É que ele mora dentro da gente
e vive sem escolta
lenha pra tal fogo...
que Deus a tenha
e coloque-as à minha disposição
sempre que eu me perder nesse jogo
de idas e voltas
e me detenha
que detenha a vida, também
sempre que ela querer recordar
sobre o que é sentir sem acalmar
sempre que me faltar lenha
É que a chama me acalma
quero deixá-la bem acesa
só pra deixar toda a tristeza
que rondar meu pensamento
bem longe, indo embora com o vento
mesmo que hoje seja só mais um momento.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Passa-vento, passa-tempo

Queria escrever algo pra expressar meus sentimentos, sendo assim eu escolhi o vento
que de tão passageiro, passou aos meus olhos ligeiro por demais...
aos meus olhos e ao meu redor, coisas tão banais são leais, sempre estão por ali.
Deixo que o pensamento se vá, ahhhhh... que passa.
A moça que passa por mim e renasce a cada manhã, na fé do amanhã.
Teu olho brilhou e eu vi, até sorri enconstado bem ali, na sacada.
Ah, tem coisa que parece mesmo não existir para nada.
Mas a maioria do todo tem seu sentido contínuo,
no fim das contas tudo poderá ser uma descomplicada reciprocidade.
Canto todos os dias para a minha liberdade,
para que quando chegar, que não venha cheia de maldade.
O que eu quero é a bondade dentro da realidade.
Não quero sonhar infinitamente e ter que acordar de repente!
Quero viver sereno, ameno... amenizando o que causa dor,
tirando de mim aquilo que causa terror.
Limpando a vida como se fosse feita de vidro,
aos poucos, diante de mil cuidados enxergo do meu parabrisa o outro lado da pista.
Sorrindo eu vou, só indo pra rir!
Deito na grama, olho pro céu e começo a sorrir.
Sem mil desculpas, progredir!
É que nada me segura, quem acha é por que me procura.
E nessa loucura eu vou, meio a sós desatando muito nós que um dia eu fiz,
coisas que não enxerguei e se encontravam bem abaixo de meu nariz.
Mas passou. Enxerguei. Vi o erro e concertei.
Coloquei as mãos no bolso e prossegui.
Eu disse "bola pra frente!" e morri, mas dessa vez foi de tanto rir.

domingo, 25 de maio de 2014

Sobre o silêncio que fala

Sobre o som da minha tv
o silêncio da alma
a extravasada dos pensamentos

Há silêncio.

Um silêncio que fala muito mais do que se é de costume
A gente tapa os ouvidos
mas não adianta

Eu o escuto mesmo assim.

Escolho o que quero deixar tatuado aqui
e sigo em frente, mas nada de repente
É que...

No final das contas, é tudo uma escolha:

O futuro;
O caminho em direção ao futuro;
O pensamento que direciona;
O amanhã.

Mas sobre o hoje, eu sei de pouca coisa.

sábado, 24 de maio de 2014

E esse céu?

Brasília e um deserto de nuvens num dia desses
Sabemos da simplicidade de seguir de olhos abertos
Os olhos da alma em que queremos permanecer
As lembranças da mente que queremos esquecer
Não relembrar pra viver.

Fogo, ar e água
No embaralho,
permanecem imóveis.

Vou viver do inventado,
do não correr manchado de intacto.

Concreto, reto, observo
Sou viajante, incessante
Incessantemente adolescente
Indecente e certo
Corro pelo que é aos meus olhos correto.

Aqui, passou!
Rápido, sério e esquecido
Introduzido na vida do jeito que ela é.

E se eu quiser seguir a marcha ré?
Eu possuo algum tipo de fé...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sobre o que esperar

Onde qualquer esquina torna-se perigo
E o meu abrigo
Daqui longe fica
Tudo se derrete em minhas mãos...

O corromper do olhar
que avista
A parar no meio da pista
E escoar

Sobre o não tão belo (talvez)
Depende do olhar
Quando se estabelece firme
E observante

Tudo será mera longitude
De onde se abre um feixe de luz
Interna ou externa, seja qual for
existe
E chega...

Aí fora eles mascaram tudo
Pintam suas paredes
disfarçam a sujeira de suas almas

Detalhe por detalhe
Susto
Que devaneio...
Mostre-me a tua verdadeira face.

domingo, 18 de maio de 2014

Fim de verso

Uma loucura só, observada a sós
Será de onde vem a real calma,
Que sempre rodeia mas raramente acalma?

De onde vem a alma pura?
Espalhando loucura
Que ao mesmo tempo que cura
Machuca e atura
Nas cicatrizes das incertezas
Escondidas em pequenos copos de
Cerveja...

Adormecer no mar de loucura
Que vai além da procura da cura
Que se foi...
Apesar de nunca querer se esvair,
Tudo o que queríamos era apenas
Sorrir
E sorrir
E sorrir...
Até o mundo acabar
E o verso se findar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A rua é nua

Tentar, tentar e tentar.
E se um dia o mundo acabar,
que me leve bem leve daqui.
Diante daqueles olhares que vi sorrir,
algo cresceu bem aqui,
dentro de mim.

Bem maior que o mundo à fora
Que nasce a cada aurora;
que fica mais belo a cada entardecer.

Pelas nuvens em que já me escondi,
do calor que às vezes esfrio
prefiro não fugir.

Gosto do que fica,
do que ensina e purifica.
Correr atrás do que corre,
enquanto a lágrima pelo olho escorre.

Pra terminar, direi que posso continuar,
aqui ou ali, em qualquer esquina
por onde eu passar.

Pra continuar caminhando tive que aprender
a cuidar dos meus próprios calos
e compreender que a vida é feito de
esquecer e renovar
de optar por qual rua passar.

Então caminhe,
desbrave,
descubra.
Pra ver até onde te leva essa rua
que você tanto chama de tua,
mas que aos meus olhos rezo
para que algo traga e eu não desprezo.

"Ah, se essa rua fosse minha..."

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sobre queda

É aqui o lugar onde o vento bate no rosto com a leveza de mais uma queda. Viver e viver, acham que em tudo há razão. Talvez nem há! Acreditar, acreditar em mil palavras tantas vezes já escutadas, de várias formas diferentes, por tantas pessoas estranhas. Talvez a vontade de viver de acordo com o meu pensamento tenha trazido frustração. Tão normal, é algo tão anormal mas ao mesmo tempo tão comum... Buracos que não se tapam nem com mais um trago do cigarro e outra dose na mesa de um bar. Interesse em cima de interesse e as vidas acabarão vazias e sem cor. E os corações? Inexistentes. E um presente sem perspectivas, estão todas por aí: perdidas. E aí? Quantas vezes as palavras foram vomitadas com o intuito de serem compreendidas? Inúmeras foram, como se fossem avisos de "não faça isso, não outra vez". Finge que deixou, porém, apenas finge. Tatuagens não se apagam, felizmente ou infelizmente. Meio termo, ou a metade, ou o nada, sempre assim. E a consciência grita por que precisa de certezas, mas não possui qualquer que seja. E a alma agoniza em busca de uma resposta entre as batidas nada aceleradas do coração. Sem fortes emoções, envoltas no processo lento de apanhar para aprender. "Uma coisa de cada vez". Ter cuidado para que os méritos não se tornem motivo de orgulho maldoso. Entender que a vida não passa de uma bela roda gigante, hora mui divertida, hora tenebrosa. É esse o meu dever! Compreender, apenas compreender e repetir as ações até que estejam puramente nuas e sinceras diante das inúmeras estradas pelas quais ainda vou passar nessa viagem que eu chamo de Vida. Errar pra aprender, "às vezes caio, mas eu me levanto".

sábado, 3 de maio de 2014

Avulso escrito por impulso

Então deixa eu viajar em paz
Viajar em busca da paz
Quem sabe em Brasília
Ou até em Marília
Deixe-me aprender o que é esquecer
Deixe-me estar, ir e compreender...
Todo lugar é lugar
Pra exaltar e exalar alegria
Sei que a vida não é só conflito
É também tranquilidade
E de verdade, eu vou falar o que pra mim nunca foi fácil

Nem se passaram muitos anos
E aqui estou
Em pé
Coração dói
Relaxa, tá tudo bem
Tudo que vem
Volta
Tudo que vai
Vem

Aranhas e aranhas
Entranhas,
Tudo estranho meio Augusta
Meio desconhecido aos meus olhos
Leblon.

E os demais sentimentos
Derretidos ao relento
De uma taça de Chandon
Da confiança que se vai
Que talvez era apenas ilusão

E tudo o que observa
Vê com outros olhos
Talvez com os olhos da multidão
Talvez de uma bela sabedoria

Deixe-me aprender o que é esquecer
Deixe-me estar, ir e compreender

Eu tenho vontade de fazer mil tatuagens
Tatuar coragem e sabedoria
Dia a dia, hora após dia

Observo o que me atrai a alma
Talvez esse seja mais um poema que traga calma
Tudo está envolvido em lençóis
Lençóis bagunçados
Por corpos aguçados

Aguçadamente prazeroso...

Era tudo tão divertido
Mas as coisas estão invertidas
Num processo de esquecimento
Desejado pelo coração.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Constante

Há muitas coisas que eu não sei
milhões de coisas pelas quais busco respostas
não há o que me faça parar
sou constante
incessantemente insaciável

Tudo o que carrego dentro de mim
é imenso
e sempre é preciso muito para tapar os buracos
da estrada da vida
nada suave

Meu fardo é grande
a vida não aguenta me levar
Talvez seja mais fácil que eu a carregue

Há muitas coisas que eu não sei
milhões de coisas pelas quais busco respostas
não há o que me faça parar
sou constante
incessantemente insaciável

Sou desconfiado
Meio sem razão
E nesse meio todo
várias interrogações

Tudo incessantemente insaciável
Tudo incessantemente inacabável.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pupila

Sou poeta do quarto e da rua
sempre que lhe vejo nua
frente a meus olhos nus
fazendo jus a tudo o que eu posso ver
No meio do céu há um risco
uma nuvem para cortar os maus
pensamentos obscuros...

Sorrir e ir
seguir em busca da paz
Aqui jaz a transparência que
transcende mais que minha própria
essência

A minha alma!

O brilho e a luz no fim do túnel
quantas vezes já vi?
Jamais esqueci das raízes
Hoje elas renascem,
pois o solo mostrou-se fértil

Meu coração...

Já nem preciso de chuva
pra que eu possa enxergar o arco-íris
que um dia perdi
e encontrei
à vista, bem perto da pupila.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Corda bamba

Café amargo pra equilibrar a vida
sorrisos amargos pra sair da rotina
Mais um cigarro
Meu décimo trago que trouxe milhares de fugas.

Mas eu fugi sozinha!
Quem é o quê nesse jogo ilusório?
Passam-se anos e anos e tudo o que eu quero permanece
a quilômetros de distância...

Corro
Canso
Paro, abaixo a cabeça, sorrio e digo:
“É a vida!”

O caminho é longo
"sabemos disso"
Minha mãe sempre diz!

Não é por que está ao meu alcance que tudo me convém,
Busco a sabedoria que está coberta de escombros
Cavo o buraco mais fundo pra encontrar o tal tesouro

Saber é uma dádiva
Saber observar e absorver
Pra depois transcender a mente

E viver mais atentamente.

Agora é hora

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sobre algo

Desnecessário
achar tudo tão inútil
procurar e não achar...

Sobre o acho, eu não sei
não tenho certeza
de que um dia pensei em algo
útil

o fútil tomou conta do ócio
casaram-se e perturbaram para sempre
até que um dia eu pensei
resolvi ter certeza de que
a linha entre o pensamento e o tornar real
é tênue

Sem mais!
Coloquei a minha cabeça no travesseiro
descansei em paz
milagre
há quem diga que a paz só vem ao lado de alguém...
Discordo!

Concordo com o que vejo
não muito com o que sinto
a vida corre num formato de labirinto
fiquei tonta e me chamaram de louca

Nem tudo que reluz é ouro!

segunda-feira, 10 de março de 2014

É como dizem por aí: cada louco com a sua loucura

Vontade de sair caminhando na rua, em meio ao silêncio e as luzes alaranjadas dos postes. Pelas calçadas da cidade que já foram mais seguras, continuar caminhando e pensando que: ser quem sou não é um problema. Nem meus piores defeitos tento esconder, eles saem da toca no momento certo: quando devem sair. E ao meu ver, não há solução para aquilo que sou. Não sou um problema. É como uma tatuagem... se eu tentar tirá-la de mim, mesmo que consiga, algumas marcas irão permanecer ali. Assim também é com aquilo que sou, é olhar o que já fui e saber que ainda restam resquícios do passado no meu interior, isso não é segredo mas nem todo mundo enxerga. Estão todos tão cegos, tentando avistar perfeição onde não existe, tentando jogar os defeitos embaixo do tapete. E eu me pergunto: onde provavelmente iremos chegar se continuarmos nesse caminho? É claro que eu enxergo a criança que permanece em mim, cheia de ingenuidade e sinceridade, não sei esconder quando sinto fome de algo.

Ser quem eu sou é tão mais simples do que tentar me mudar. Não busco aceitação, na verdade eu nunca busquei. Acho tanto que tudo é como tem que ser (nossa, que clichê) que me acomodei nisso como se eu estivesse sobre um sofá macio desses que existem por aí. Observo daqui do meio-fio da calçada, queimando o meu cigarro, o quanto as coisas mudam com velocidade. Dá nem tempo de respirar! Quando vejo, já morri mais uma vez no sufoco da velocidade em que as coisas passam por mim. Vi que loucos também amam, loucos também gostam, aceitam os defeitos, amam incondicionalmente e gostam sem esconder, tanto quando odeiam, são constantes e de vez em quando incomodam.

“Eu já fui cego, já vi de tudo. Já disse tudo e fiquei mudo. Já fui tão pouco e fui demais.” E continuei exagerada, continuo sendo o “demais”. Posso caminhar o quanto for, chorar o quanto for, reclamar inúmeras vezes, mas o exagero é a minha sina. E se ainda não é o que almejo, irei me mover até que eu alcance o “agora sim, tudo certo”. Um mundo tão cheio, mas ao mesmo tempo tão vazio. Cheio de almas vazias perdidas a essa hora. Não há hora para se perder, tanto quanto não a hora para encontrar-se em meios aos escombros de pessoas que nos encobrem. Tenho visto quantos monstros estão ao meu lado, mas perdi o medo deles. Não dá pra viver de medo, mas também não dá pra viver de incertezas. Gosto de certezas e mais certezas, mais respostas do que perguntas. Preciso enxergar as coisas sem ter que me esforçar, quero que seja tudo tão claro que me traga paz enquanto trago o meu cigarro. Os meus sonhos são tão grandes quanto o que guardo dentro de mim, e por mais que eu me canse da minha loucura e queira abandoná-la, eu sei que irei conquistar tudo o que sempre sonhei com a insanidade dentro de mim. Eu própria, não me abandono.


E como dizem por aí, cada louco com a sua loucura!

domingo, 9 de março de 2014

Sobre o "não sei me expressar"

Sinto o que digo
Lhe digo o que sinto
Loucura, minha sina!

Me perco em meus próprios versos
Sentimentos inversos
Sempre fui do avesso

Percebi agora.

Quando me esqueço
Deixo o que padeço
Transparecer.

Mil palavras
Monossilábicas
Jogadas numa lixeira
Aumentam o odor da dor
Que cheira mal
Vai ver, foi pior que vendaval...

Sem reação,
Perdi a minha própria visão
No mar de minhas próprias paranoias
Me afoguei
Mas eu desejei estar contigo
Como na primeira vez.

E assim permaneço
Com minha loucura destrutiva
Intuitiva
Que sinto sempre que estou a procura
Do nada
E tu nadou na minha loucura.

E foi tudo assim, do nada
E continuamos assim, do nada
Mergulhando em tudo.

"Eu esqueci que não posso me expressar"

quarta-feira, 5 de março de 2014

Querido Pequeno Ócio,

Ainda não mudei minhas coisas de lugar nem nada daquilo que pertence à mim. Deixo onde está talvez por fadiga ou acomodação, mas deixo. Transpareço não muito claramente o que sinto ultimamente, talvez isso me torne um pouco mais sufocada, mas eu própria me afogo sem precisar de motivos óbvios e pessoas óbvias demais. Como água corrente e agitada, numa hora dessas eu paro como se não precisasse de chuva para me mover. Pois chove aqui e eu continuo calma. Concentrei-me na seca trazida pelo Sol e tornei-me água parada que não move-se e claramente não possui ondas, enquanto algum olhar distante me percebe em meio aos devaneios de um poeta que procura inspiração para compor algo que lhe tire do sufoco... É que escrever e poetizar traz boas calmarias a um ser agitado. Nem sempre me encontro em paz por expressar-me de um modo desigual de como me expressava no início, mas observo a minha mudança e julgo-me em voz baixa, meio emudecida. Já não enxergo tal vantagem em ser literalmente transparente. Sou lago sujo e parado, não muito em todas as horas de minha vida, na verdade sou assim (talvez) em poucas delas... mas sou. Diante da liberdade aprisionada em que me encontro, prefiro conter-me em meu abrigo até que a primavera convide-me a ausentar-se um pouco de onde tenho me acostumado a permanecer. Acomodada, com a cômoda próxima a cama possuindo velas acesas e um cinzeiro contendo aquilo que acabei de tragar. Engraçado como tudo pode tornar-se cinza dependendo do ponto de vista de um ser. Um amor quando fogo não cuidado, queimará todas as lenhas e restarão apenas as cinzas, uma amizade quando morre, também torna-se cinza, o papel quando queimado, os pensamentos e tudo aquilo o que é existente. Eis que tudo está propício a tornar-se um tufo de cinzas acumuladas em algum lugar relativo. "Todo carnaval tem seu fim" e o "carnaval" dito na bela e melancólica frase poderá muito bem não significar apenas comemoração chegando ao fim, mas alegrias e tristezas, certezas e incertezas, acumuladas todas elas em um depósito crucificável de algumas coisas concretas que chegam ao fim. Desabafo, desabafo e não há fim. Não agora, mas numa hora dessas um fim pode ser a cura, talvez dolorosa ou calma, sem dor. Mas eis que falo, falo, falo e não me abalo. São palavras e mais palavras entre linhas sem rimas em que escrevo sem chegar a um ponto conclusivo. Cheio de confusão e falta de sentido, insanidade, insatisfeita. Fecho os olhos, ouço a melodia, levanto involuntariamente minhas pálpebras e observo as luzes coloridas do pisca-pisca ligado, tentando perceber se ele traz alguma alegria diferente ao dia chuvoso que não moveu as águas imaginárias presentes em mim. Até agora tudo tem mudado, mas é como se eu estivesse viajando incessantemente procurando um modo de terminar esse escrito confuso e não tenho encontrado. Percebo tais mudanças e permaneço calada ou grito de uma vez na agonia de que tudo mude e transpareça por meus olhos. Ainda não encontrei a palavra certa antes do ponto final para colocar fim as palavras confusas, vou terminar como está. Acomodei-me aqui em meu quarto, talvez até demais.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Sobre uma tarde não qualquer de um dia qualquer

Sou o que mostro e um pouco mais que isso, que fique claro. Me faço de monstro quando quero tanto quanto sou vítima noutras vezes. Que amanheça. Que o céu escureça e que as noites sejam longas. O que me excita de verdade chama-se liberdade. Me liberte de tais prisões, tu tens as chaves necessárias. Hoje eu quero sair só, me sentir só, acender um tabaco e ir embora. No meu bolso só restaram as chaves de minha casa. A violência tomando conta da cidade e eu presa em meus medos de fazer parte das estatísticas sobre esse momento podre na cidade em que tanto amo e nunca quis deixar. Abaixo do teto de minha casa tem eu. Hoje quero sair só, mas tenho medo. Hoje sou o que eu sempre fui. Se eu pedir para que vá, será que você realmente irá sem ira no seu coração? Preciso me encontrar. Ironicamente, eu preciso. Provavelmente, quando eu estiver extremamente feliz irei querer-te ao meu lado mais uma vez. Provavelmente não é sinônimo de certeza. Grito escandalosamente, não me faço de tola, solto o tal do verbo e nada muda ao meu redor. E é tudo uma mera mesmice, nem tais lembranças mudam. E tudo é tão real que. Me faltam últimas palavras para tudo, porém, me sobram explicações. E tais lugares e músicas trazendo até mim a saudade indesejada e abstrata, a saudade que deveria ter ficado no lugar de onde veio. Posso até me arrepender, mas sei o que é preciso fazer. Eu sabia que a dor não tardaria a chegar, mas a liberdade têm me atraído mais do que o prazer de estar com alguém. Talvez, estar a sós comigo seja realmente um prazer onde me martirizo na maioria dos momentos. Tomei coragem e parti. Parti um coração, quiçá. Ops... foi sem querer, te juro. Foi sem querer querendo a liberdade, eu juro.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nas sombras do subsolo

Sinto a essência do que me agrada
perfume de inspiração
quarto esfumaçado, arrumado
cheirando e exalando lembranças
numa noite onde o som da TV no quarto ao lado é uma simples companhia
tão simples...

Sei de pessoas que vão e que voltam
Nem sempre em vão
nem sempre permanecendo em minha volta.

Procuro aqui entre as estantes
algo que me leve para longe sem sair do conforto de minha cama
onde descarrego todo o cansaço do dia-a-dia

"Tão nova e tão guerreira"
Um bom elogio
E um longo abraço sem sentimentos sombrios
Repleto de sensações embaralhadas
das quais eu me encaixo perfeitamente
como num quebra-cabeça pequeno que me revela algo surpreendente a cada vez que
me dedico a ele novamente...

Mente
O que é a vida?
Mentes que mentem
Corações que doem
Sensações que voam e voltam para o lugar de onde
saíram.

Resolvi sair também
Carrego em meu bolso todas elas
Das mais belas às mais retraídas
escondidas num bolso.

Baú
onde guardo todas as minhas recordações
todas as lições
sem medo de escondidas perseguições.

É que eu sei o que faço
mesmo que a minha insanidade ultrapasse
limites
eu me controlo
me descontrolo
não me arrependo
agora ou depois
me desenrolo no rolo que é a vida

Eu própria me consolo embaixo de um subsolo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sobre um dia comum

Hoje a noite parece longa
Mas são tantos pareceres
que até pareço um ser sério
Só pareço
Não pereço no mesmo lugar
Nem agora, nem depois
Hoje deixarei para depois
Talvez por opção.

Deixo as emoções transparecerem
Como um transcender de ideias
Sensações à parte
 Deixo ecoar.

Hoje o ar quis que eu seguisse contigo
Desde então o vento me levou
E eu vou
Sem pausas
Sem pasmas
Sem surpresas
Apenas vou...

Hoje o normal me atraiu
Pareceu anormal
Mas não era
São as eras passando
Verás que é a vida
Sagas... cidade
Tão clichê não clichê...

Poucos fatos
muitos relatos
é demais para mim.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Só não estranhe quando ler

Nem bebida, nem cigarro, é algo que não se preenche com química física. É mais uma questão de interioridade, falta algo aqui dentro. E ter que se virar só, nunca foi comigo. Aqui faz tanto frio... e a necessidade de um colo, um ombro, uma mão para segurar é tanta que empurra as lágrimas que escorrem pelo meu rosto como se fosse o nível hard da vida e eu tivesse que enfrentar dia após dia o "chefão" da história tão real quanto as fantasias que eu criava para me divertir enquanto era criança. Perco o sono durante a noite, sinto medo de estar só. Dói... e é tudo questão de sensibilidade, mas não exatamente. Não venha me perguntar como estou se o fato de eu não estar bem e me sentir desprotegida possa lhe incomodar. Preciso que me abrace, me sinto vulnerável... e logo eu que tanto protejo? É a junção de várias coisas que causam essas sensações em mim, odeio me sentir fraca e vulnerável. Mas não se preocupe! Lembra que eu sempre fui forte? Ou pelo menos tentei. Me encontro aqui em meu quarto, quase nua e junto a solidão. É chato demonstrar fraqueza, afinal, o meu signo é Leão (se é que você me entende). Não que o choro demonstre apenas uma fraqueza, mas é como me sinto nesse momento. Desculpa, mas sou tão vulnerável como uma bolha de sabão. O cigarro queimou todo, as cinzas caíram ao chão e o vento as levou, mas esse incômodo não foi embora. Coisas que me incomodam, não querem me abandonar e eu não sei pra onde corro. Queria ter braços a qual recorrer, mas não encontro. Nem correr pra encontrá-los eu consigo, não agora. É parar e deixar as lágrimas escorrerem sem nem ter que piscar os olhos com força para que elas possam cair. É tentar acreditar que tudo vai passar e não conseguir. Será a tristeza e o medo juntos ao mesmo tempo? Eu praticamente desconheço tais sentimentos. Choro com inúmeras descrições saem de meu peito, não quero esconder, hoje eu não estou afim. Retiro todas as minhas máscaras de suposta felicidade e alegria e mostro-lhe como sou verdadeiramente. Será que o meu lado Yin também te encanta? Sinto necessidade do modo como me enxerga com clareza, não quero ser escuridão e mistério para ti. Mas as máscaras me incomodam e assustam. O jeito é buscar respostas nos olhares, sempre. Olhares tem mais o que dizer. Palavras serão sempre só palavras. Sou louca, de verdade. Isso até quem não enxerga, consegue ver. Ainda vou conseguir cuidar de você quando um dia eu cuidar melhor de mim. É que eu gosto de me encontrar mesmo que eu me perca de vez em quando.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Só mais um trago

Fazia Sol, depois chovia e eu permanecia
sozinho.
Fazia frio, ventava e eu continuava
sozinho.
Buscava prazer, me embriagava e seguia
sozinho.
Sempre
sozinho.
Ignorei o ronco do meu estômago e acendi um cigarro,
só para pensar.
A minha alma sempre grita,
raramente sussurra...
mas hoje, escolheu sussurrar
enquanto eu andava por aí com o cigarro aceso
queria soltar isso tudo e aquilo
só pra ver se dessa vez eu consigo voar.
Eu nem quero ir muito longe
meu lugar só é desconfortável de vez em quando,
igual agora...
finjo ter paciência,
apenas finjo.
Nem sempre sou dono dessa dádiva,
mas te trago como um trago.
É que eu gosto desse embaralho,
só não gosto de embaralhar.
Complico,
sinto a culpa sem desculpas,
mas eu não sei me desculpar.
Desculpa.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sobre liberdade e outras mil coisas

E hoje eu acordei com vontade de escrever, na verdade foi a vista do lago que me inspirou. Não sei bem o que quero deixar claro ou expressado dessa vez, mas eu adoro a liberdade. Já não me preocupo mais com o que me afligia, a vida é toda cheia disso. Penso nas pessoas que tem suas prisões e deixam isso por debaixo dos panos, talvez eu queira ser assim também, mas morreria no sufoco. Já não tenho lá aqueles belos pulmões de quando nasci, nicotina destrói as coisas. Cada pessoa é tão diferente, mas algumas são tão iguais! Parecem robores criados da mesma forma. E isso tudo é tão chato no meu ponto de vista... me sinto fadigada com as máscaras que vejo, quando elas caem é como se eu me libertasse junto com o ator (eu disse que eu gostava da liberdade...). Carregar máscaras é um trabalho tão pesado, e é aí que me pergunto porque as pessoas as carregam. Ser eu mesma é algo que, mais do que nunca, vi que é o que me faz bem. Que jamais é preciso disfarçar o seu verdadeiro eu para fazer bem a si mesmo. Uma hora a verdade chega e não há como fugir. Eu queria poder ouvir e executar a palavra de todos os sábios, tudo na mesma hora. Mas quem dita quando cada coisa tem que ser mudada, sou eu. Eu dirijo essa minha vida e confesso que já não acho mais chato, não mais. Cuidar de si mesmo é a melhor coisa que se pode fazer enquanto vivo, é despertar dentro de si a vontade própria de viver e lutar pelas coisas agradáveis, é ser o seu próprio fiel escudeiro sem esperar por ninguém. A verdade é que para mim, o nunca jamais existirá. Costumo dizer que sou vários seres em um só, e não me arrependo disso. Absorvo das pessoas o que quero e o que não posso evitar.  Mil coisas! Mil jeitos, mil vidas. Nada com "duas caras", tudo com "sou cada uma dessas coisas" e não há quem ouse dizer que não sou. Há provas? Não, não há. Por essas e outras razões quase relevantes que sou temperamental e justa comigo. Não me defino, não me rotulo (não mais), não sou o que dizem. E gosto de ser assim, que seja! Todos nós temos a ver com isso. Eu escrevo para me libertar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Minhas verdades acumuladas

Eu sempre costumo escrever histórias e mais histórias, contos e tragédias, mas quando percebi, mil pensamentos já tinham inundado a minha cabeça. Senti que me libertava de várias coisas logo de início. A música ajudava bastante e eu pensava muito em mim, como nunca pensei antes. Entrei naquele mar e deixei muita coisa ser carregada pelas ondas, tudo o que me incomodava e me tirava a paz que é de direito meu. Vi preocupação no olhar da senhora e tudo o que eu queria era observar a lua por que eu já não precisava de mais nada. O sorriso da menina vinha em meus pensamentos e eu deixava-os ir e vir, sem pressa e sem dias cheios. Eu sou vários seres em um corpo só e eu já nem tenho pressa... O tempo passa, e a vida deixa claro o quanto cada momento é passageiro. Mais do que nunca, isso me trouxe paz. O vento da noite não me incomodou e me trouxe tudo o que eu queria e levou o que eu nunca precisei. E eu aqui: voltando a minha essência inicial, sem ninguém para interferir. Alguma coisa ainda tenta me tirar o equilíbrio, mas não devo me entregar as dúvidas. Sempre costumo ouvir que as coisas são como devem ser e nem tudo é o que eu penso sobre. A mente pode ser vilã tanto quanto pode ser a minha melhor amiga. Hoje eu acordei com saudade, acordei com vontade de chorar, quem sabe até mesmo saudade de um abraço. Tem coisas que me causam medo, não sei se corro ou fico por aqui esperando passivamente por algum acontecimento real. Um cuidado, um olhar atencioso... hoje demorei um pouco mais para entrar no mar, o meu olhar estava mais sereno que o normal. Tudo o que eu pensava era leve e suave. Deitei na areia e deixei o vento levar todos os pensamentos, eu mal sabia dizer o lugar exato desses devaneios. Quanto ao mar, levou todos os meus receios. Por fim, me senti livre de tudo o que me empatou por um bom tempo e agora sigo o meu caminho olhando sempre para frente, sem medo, receios... repleta de paz. Tenho em minhas mãos tudo o que eu sempre precisei, talvez eu tenha percebido isso só hoje. E é agora que vejo que há coisas que eu jamais deveria ter deixado para trás e colocado outras no lugar, jamais... Mas, pra terminar de um modo clichê: "as coisas são como devem ser".