Quarta-feira de sons baixos,
No meio dessa bagunça eu me encaixo.
E encaixo alguém, também.
Sorrio até fechar os olhos,
sem contradições nessas tantas palavras
que nem aos poucos me detém.
Mente alta que não se aquieta!
Se acontecesse por um segundo,
me perco nessa linha reta.
Diria que isso é um milagre,
e não coisa de gente certa.
Daqui até o fim,
mil relatos sobre uns tais pensamentos.
Mil relatos sobre meu dia ruim.
Matuto cada momento,
que ainda não foi levado pelo vento.
Que vem e depois volta,
como se tudo não fosse bem carregado,
e vivesse em escolta
por mim, aqui por dentro,
onde hoje já nem venta...
A Luz,
seja do Sol ou da Lua,
contando histórias da liberdade,
dessa tua brisa na rua,
desse teu olhar nu.
Dessa tal liberdade, nua e crua.
E eu aqui com os meus impessoais,
pessoais demais que estampei,
em suas vitrines preferidas de retardatários,
pra quem pouco já ousei.
Pra que não ousassem ser tão banais,
À ponto de sermos tachados de otários.
Aqui jaz palavras que causam embriaguez de insanidade,
sem qualquer seriedade,
sem miséria pra sociedade.
É que eu sou louco,
quem dera eu fosse pouco.
Ou não!... Que seja.
Costumava dizer que caminhava de olhos bem abertos,
Já sabia que o meu caminho não era o mais correto.
Havia sílabas me avisando sobre a síntese do tal perigo:
"Não entre", "tóxico", "risco de tensão".
Simplesmente, perigo.
Já me julguei ser cheia de razão...
Me vê estranha porque não sou daqui, não.
Mas sentou ali,
bem ao meu lado,
como quem só queria descansar,
sem o mínimo de razão
e se livrar desse afago onde eu me afogo.
Vamos por lenha contra a despedida desse fogo...
Mas a regra é clara:
veja só o toque.
O reboque que eu fiz,
longe das redias desse teu nariz.
Toque dos lábios,
do corpo inteiro,
ou apenas das mãos...
Nada em vão,
Utilize toda a sua atenção.
Se coloco muitos pingos em "is", pouco importa.
Mas eu sempre deixo aberta a porta,
pra quem quer se acomodar e despedir.
Pedir mais um trago pra depois seguir.
A gente se acomoda,
esteja aberta ou fechada a porta,
caminhando em reto,
ou em linha torta.
No final das contas é tudo questão de horas,
poucas ou muitas horas.
Seja pra quem o Sol hoje nasceu quadrado,
ou em forma de bola.