sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Sobre uma tarde não qualquer de um dia qualquer

Sou o que mostro e um pouco mais que isso, que fique claro. Me faço de monstro quando quero tanto quanto sou vítima noutras vezes. Que amanheça. Que o céu escureça e que as noites sejam longas. O que me excita de verdade chama-se liberdade. Me liberte de tais prisões, tu tens as chaves necessárias. Hoje eu quero sair só, me sentir só, acender um tabaco e ir embora. No meu bolso só restaram as chaves de minha casa. A violência tomando conta da cidade e eu presa em meus medos de fazer parte das estatísticas sobre esse momento podre na cidade em que tanto amo e nunca quis deixar. Abaixo do teto de minha casa tem eu. Hoje quero sair só, mas tenho medo. Hoje sou o que eu sempre fui. Se eu pedir para que vá, será que você realmente irá sem ira no seu coração? Preciso me encontrar. Ironicamente, eu preciso. Provavelmente, quando eu estiver extremamente feliz irei querer-te ao meu lado mais uma vez. Provavelmente não é sinônimo de certeza. Grito escandalosamente, não me faço de tola, solto o tal do verbo e nada muda ao meu redor. E é tudo uma mera mesmice, nem tais lembranças mudam. E tudo é tão real que. Me faltam últimas palavras para tudo, porém, me sobram explicações. E tais lugares e músicas trazendo até mim a saudade indesejada e abstrata, a saudade que deveria ter ficado no lugar de onde veio. Posso até me arrepender, mas sei o que é preciso fazer. Eu sabia que a dor não tardaria a chegar, mas a liberdade têm me atraído mais do que o prazer de estar com alguém. Talvez, estar a sós comigo seja realmente um prazer onde me martirizo na maioria dos momentos. Tomei coragem e parti. Parti um coração, quiçá. Ops... foi sem querer, te juro. Foi sem querer querendo a liberdade, eu juro.