quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quero me casar com a rua

Vi a cidade iluminada aqui do meu teto, percebi que o perigo da rua continuava. Mas eu sou dela e ela é minha, deito entre uma esquina e outra, como seios que me aconchegam. Não sou bandida, sou malandra. Maldade minha gostar do constante, porque até a rua tem fim. Também, nem todas! Há aquelas que me levam ao mundo inteiro e há algumas que não tem saída. Hoje eu quero escrever sozinha, fumar 6 cigarros, acordar com o despertador, andar com ela. Falei da luz da tal porque ainda sinto um certo medo, mesmo com essa iluminação toda. Adrenalina: a linha tênue entre o medo e o prazer. Me sinto louca. Recordações, lições, "ões" que a vida tece. Parideira de vida é a rua! Nasci em algum cômodo dela. Aprendi a andar segurando em suas paredes, pisando em suas curvas. Embaixo dos tetos que ergueram sobre tais, saboreei os melhores beijos e vivi os maiores dramas. Embaixo dos seus tetos aproximei-me dos mais perigosos corpos e falei verdades diante de quem esteve disposto a me ouvir. Tropecei nos seus defeitos, me acalmei nos teus nervos. Fiz dos teus bares os meus hospitais públicos, cura barata que nada cura. Lembro até de que tantos são os dias que a tua maquiagem é a lua, tu é a mais bonita das putas, a mais cobiçada. Ninguém lhe solta a mão e eu sou a tua maior fregueza. Andar só? Não, impossível se pra mim você tem vida. Escapo das reais ameaças quando estou rodeada do teu ar. Ah...! Se eu pudesse fazer de ti minha mulher, te prometeria amor eterno.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Céu azul e branco, coisa de sonhador

Escrevo enquanto caminho, e desejo caminhar sem que alguém me tire o saber desvendar. O céu continua lindo e há uma grande nuvem sob o Sol. Penso em alguém que mexe comigo e quase peço arrego e fujo, mas prefiro ficar. Me disseram que uso a razão, o que eu jamais imaginei que de fato usava, mas vez ou outra é necessário, vez ou outra... Parei para pensar no quanto penso e ajo com os pensamentos, senti-me um tanto surpresa. Olhei pro céu e queria continuar olhando, sonhando, desvendando mistérios. Acomodei-me no degrau do ônibus, acomodei-me em qualquer lugar. Aconchegante era qualquer espaço onde eu pudesse enxergar a imensidão azul unida ao branco que sempre estara acima de minha cabeça. Eu gosto da simplicidade de quem é o que é mesmo sem saber o que de fato é "ser". Gosto do olhar que me toca a alma sem mesmo conhecer. Um monte de "mesmo assim" que me leva a uma certeza, ou várias delas. Quiçá eu seja sonhador demais, mas não lhe atrapalho e nem vou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poesia lunática


Durante a noite eu me sinto tua
Tu se mostra clara pra mim
E eu me sinto nua
Na rua você me abraça
Torna desgraça em graça
Na praça me acompanha embriagada
e toda vez que lhe vejo eu penso: obrigada!
Traga pra mim mais noites inusitadas
Vem ser minha quando eu disser que não tenho nada
Diga que eu sou tua,
Diga em silêncio
Porque eu me sinto amada
Me torno criança no acalento
Teu brilho é o meu sustento
Eu deito no teu colo e me recordo da vida
Esqueço do eterno ócio, me lembro do que posso
Apareça às seis
Ás sete
Me reveste porque quando eu estou contigo
Tiro a minha capa de cafajeste
Penso até em fugir pro Agreste
pra ver se de lá eu te contemplo
e faço do teu corpo lunar
Tudo aquilo que chamam de templo
Peço-te que pra ir embora
Você nunca se apresse.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Perguntei-me

Quem sou eu?
Cheguei a conclusão de que sou malandro,
mas também sou poeta romântico.
Viajante parado ou em movimento,
sou filósofo da vida que optei por ser minha.
Um cafajeste longe do faroeste, talvez,
mas com o coração sempre em alguma mão.
Nem precisa ser das outras, mas na minha mesmo,
sempre que padeço diante das minhas loucuras.
Sagaz e burro, o que preferir.
Sagaz e burro no momento em que me convém,
prefiro ser sagaz.
À pensar no futuro, de vez em quando olho para trás,
porque passado de poeta nunca se desfaz.
Nasci com a ajuda da mãe e sou corajoso,
quase sozinho. Mas me acanho no ninho pra fugir um instante do perigo.
Sou a calma e o pertubo. Ameaça e proteção.
Yin, Yang... Turbilhão.
Cheguei a conclusão que sou um universo longe da extinção.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Amargo

Sentei no meio fio, tava observando a solidão dançar
Cheia de graça ela ficou a me olhar
Teu vestido rodava como se aquilo fosse bonito
ser rica de corações partidos...
Achei engraçado e saí a perambular igual menino moleque
Sem casa pra voltar
Descalço e sem documento
Quero dançar como ela dança!
Dança com os sentimentos.
Fotografei o rosto da menina
Pra não precisar ir tão longe em caso de saudade
Tava à pé, tava mesmo...
Talvez a aventura me trouxesse perigo,
mas eu nunca me assustei.
É por isso que eu tô aqui, agora.
A verdade é que escrever me liberta momentaneamente!
É como se fosse banho de sol pra gente de presídio e indigente.
E tudo isso pode não ter nexo, nem mesmo os sexos que fiz e refiz
Pra recriar cada verso.
Já que com a solidão não sei dançar,
puxei a amargura e a beijei.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Que e quem?

Escrevo sobre quem?
Escrevo sobre aquilo e quem eu posso matar a saudade e repetir a dose.
Os belos corpos, copos.
As melhores curvas, sobre tragos.
Momentos de ócio e momentos inesquecíveis.
Escrevo sobre a trilha que eu quero andar e sobre os caminhos que já trilhei.
O dia que não terminou porque eternizei em meus versos.
Escrevo sobre o que a alma me conta, sobre o que o espírito pede.
No fim das contas, torno eterno o que quero até que o poema chegue ao fim.