Com o cabelo que de tão molhado pinga em minhas pernas cruzadas, cá estou eu escrevendo mais uma vez na tentativa não muito frustrada de interromper algo que possa me corroer de algum modo. Eu troquei o calor pelo clima estável, molhei o meu corpo, tentei limpar o pouco de suor que restou em mim. As lágrimas já não cabem em mim, há tempos já não existem. De tão valiosas, tornaram-se raras neste meio tempo. E quem se importa? O dia me sugou mas, ainda existo. Os dias me sugam e eu continuo existindo. Talvez não muito, mas estou aqui. Só espero que ninguém resolva entrar em meu quarto e atrapalhar o meu raciocínio aleatório que descrevo aqui. Sei lá o quê. Esse existir, o que seria? Não sei de alguém que saiba. "Only one". Mais quantas doses de anestésico impedem uma desistência mental das coisas? Nunca se sabe. Penso que sei, mas não sei. Assim é entre vários outros sentidos das coisas esquisitas que chamam de destino. Em tudo usam "destino" como desculpa. Sei lá, não é bem assim que as coisas prosseguem. Deixa para lá, eu já nem entendo mais. Não sei se um dia entendi. Só sei que hoje não comecei um escrito com cigarros acesos. A fumaça de cinzas deixadas ainda me intoxicam aqui por dentro. Uma hora elas cessam e eu acendo mais um veneno desses. É que eu perdi o meu sono. Até a próxima loucura descrita...