segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Com um quase rumo

Poesia sem dor.
Lembranças.
Saudades...
Sem.
Chorei lágrimas que não valiam
uma nota de cem.
No ecoar dos sons,
acabo que sinto sonoramente
o meu corpo em silêncio.
Movimentos.
Gritos.
Sussurros.
Pedidos de socorro.

Uma musica fora de meus ouvidos.
Mas é a própria vida.
Desafinada, acertando os tons aos poucos.
Sinto-me maestro de mim mesmo.
Regente.
Reagi a tudo.
Eu sempre reagi...

A simplicidade exposta no corpo.
A leitura de uma poesia ou um poema.
A abertura de pequenos olhos.
A suavidade dos passos bailarinos.
Artísticos.

Tu, a minha mais bela arte já observada.
Teus gestos e delicadeza
destroem toda e qualquer frieza
imposta num momento de tristeza.

Teu olhar que de tão verdadeiro,
aquece-me, faça lá o frio que for.
Sou poeta louco, como preferir.
Mas, prefira a mim
como sou.

Tua bela voz que me acalma.
E o valorizar daquilo que não se tem valor.
O que esbanja riqueza, já não é enxergue.
E o encanto.
Histórias contadas nos cantos da cidade.
E eu aqui no canto.

A vida.
A linha tênue entre a paz e o abismo sentimental.
Vida dividida.
Levei em conta o que me encantou e fez sorrir:
Uma bela bailarina.

Me afoguei em ti, me esqueci das dores.
Ah, que bom seria
se tu fosse uma flor
que onde quer que eu passasse
teu perfume eu sentiria
e tua presença jamais se findasse
por todo o meu caminho
meio que sozinho
não sei até onde eu vou.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Mais um sábado de agosto, ou madrugada

Hoje, segundo sábado de agosto. Ela resolver bater em minha porta... mas justo hoje?! Nesse dia chuvoso em que eu permaneço com a minha solidão e a cabeça encostada na cabeceira da cama escrevendo sem parar, acendendo um cigarro após o outro, bebendo toda a garrafa de café e quase nu. Nu por dentro, sentindo frio. Você! Que me deixou nesse afago e necessidade de ti, não seria maldade? Logo às 2:34 da madrugada, depois de eu ter tomado um banho e estar sentado em frente a TV, com o mesmo bloco de notas, o quarto maço de cigarro e outra garrafa de café. Você só faz maldade, mulher. És o meu veneno preferido... Bateu na porta do meu apartamento com o corpo todo molhado enquanto lá fora chovia incessantemente e eu jamais imaginaria que apareceria ali: com cheiro de cigarro (e você nem fumava), essa maquiagem toda borrada e o cabelo pingando bastante água de chuva no seu pequeno guarda-chuva... que surpresa sinto em vê-la e sentir sua respiração ofegante por subir desesperadamente as escadas com medo de não me encontrar. Seu guarda-chuva está quebrado e você nem reparou. Ela abriu um papel branco com umas letras borradas e jogou em meu peito. Começou a falar o que, segundo ela, estava registrado ali: naquela folha que até cheirava a seu perfume (ou talvez cheirava a cigarro). O seu cabelo assanhado lhe dava uma aparência de louca, parecia que estava mais paranoica do que quando lhe conheci naquela festa chata e quase vazia. Os seus olhos me imploram socorro, bem mais do que quando os avistei pela primeira vez. Deve haver algo literalmente importante para que chegue assim, de surpresa, depois de tanto tempo. Até pensei que tivesse se mudado para longe como tinha dito que faria meses depois de termos colocado um “ponto final” em tudo. Mas você apagou o ponto final e em seu lugar colocou uma vírgula. Quanta loucura... Olhe só para meus olhos, levante esse rosto! Sabe bem que não sou um monstro e que fugistes da primeira vez porque preferiu assim. Louca. Livre, leve e solta. Porém, não leve e muito menos livre, prisioneira de suas vaidades. Me disse que mesmo que eu fosse um tremendo babaca e lhe trocasse por noites e madrugadas na rua ou nos bares bebendo com os amigos, jamais desistiria de mim, como havia dito assim que chegou em minha vida. Mas as atitudes descritas não foram bem as minhas. Me disse que eu era um medroso e covarde, mas que havia deixado o coração em minhas mãos e não o queria de volta, queria que eu voltasse a cuidar bem dele e pediu para que eu parasse de ser tão egoísta. Eu não sou egoísta, ou talvez eu seja, mas só contigo. Eram essas coisas que estavam escritas naquele papel borrado que você atirou em mim e desceu as escadas sem ao menos me dar a chance de segurar forte em seu braço e pedir para que não fosse. É uma pena que eu não saiba mais onde lhe encontrar, o número e endereço descritos na carta eram justamente o que tinha escrito de caneta vermelha, da qual a chuva (talvez por ironia) fez questão de borrar assim como você borrou toda a minha vida.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

É que eu perdi o meu sono

Com o cabelo que de tão molhado pinga em minhas pernas cruzadas, cá estou eu escrevendo mais uma vez na tentativa não muito frustrada de interromper algo que possa me corroer de algum modo. Eu troquei o calor pelo clima estável, molhei o meu corpo, tentei limpar o pouco de suor que restou em mim. As lágrimas já não cabem em mim, há tempos já não existem. De tão valiosas, tornaram-se raras neste meio tempo. E quem se importa? O dia me sugou mas, ainda existo. Os dias me sugam e eu continuo existindo. Talvez não muito, mas estou aqui. Só espero que ninguém resolva entrar em meu quarto e atrapalhar o meu raciocínio aleatório que descrevo aqui. Sei lá o quê. Esse existir, o que seria? Não sei de alguém que saiba. "Only one". Mais quantas doses de anestésico impedem uma desistência mental das coisas? Nunca se sabe. Penso que sei, mas não sei. Assim é entre vários outros sentidos das coisas esquisitas que chamam de destino. Em tudo usam "destino" como desculpa. Sei lá, não é bem assim que as coisas prosseguem. Deixa para lá, eu já nem entendo mais. Não sei se um dia entendi. Só sei que hoje não comecei um escrito com cigarros acesos. A fumaça de cinzas deixadas ainda me intoxicam aqui por dentro. Uma hora elas cessam e eu acendo mais um veneno desses. É que eu perdi o meu sono. Até a próxima loucura descrita...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Que madrugada?


São 4:32 da madrugada e eu aqui: em pé, com agasalhos da cabeça aos pés e esperando o próximo trem na estação escura que sabe-se lá que horas irá aparecer. Hoje eu não bebi como você está pensando, só resolvi voltar "um pouco" mais tarde para casa porque essa rotina de casa, trabalho e escola tem me cansado. Tu sabes que sinto a sua falta durante a semana inteira, não sabe? Pois é. Queria eu ter 30 horas por dia só para poder aproveitar pelo menos umas 4 horas contigo embaixo do meu cobertor. A minha casa ficou uma bagunça no decorrer da semana, a minha cama que divido contigo ainda está bagunçada, eu nem tive o trabalho de arrumá-la, até porque não faz sentido se você não está. Que falta é essa que você me faz? Hoje eu tive bastante tempo para pensar e decidi ser mais sereno sem perder toda a minha demonstração do quanto estou louco por ti. Me sinto preenchido a ponto de não desejar nem um cigarro enquanto estás comigo. Quem diria? Logo eu que nem mais acreditava nessa coisa toda de "bons sentimentos e pessoas verdadeiras existem"... Olha só o que você causou em mim. Revirou a minha cabeça, o meu coração, o meu físico. Revirou tudo. Sem contar que continua causando inúmeras sensações em mim, algumas eu desconhecia e outras eu tinha esquecido como era senti-las. Mas você me deixa em paz, basta eu saber que existe. Desculpa, meu amor, mas acabei de acender um cigarro para lhe contar que todo dia você me surpreende com algo e cuida de mim sem nenhuma reclamação, acredito eu. Sei que gosta até dos meus defeitos mais esquisitos. Parei de beber durante a semana depois que passei um dia sem ti e me afoguei para preencher o vazio que é a minha vida sem você, logo, me arrependi. Vou voltar para casa. É uma pena que a minha outra casa (teus braços) não estarão lá me esperando, porque aqui venta e faz muito frio, seria uma boa se estivesse abraçada comigo.
Cheguei em casa há umas 2 horas atrás, fui preparar o café da madrugada e acabei cochilando na mesa com o segundo cigarro do dia na mão, até queimei o dedo. Eu penso em você toda hora e nem me esforço para fugir disso, não mais. Eu não sei quanto tempo isso irá durar, não sei ao certo se os dias estão passando rápido demais, só sei que desejo ser infinito quando beijo a sua boca e aperto a sua cintura. E confesso que me sinto infinito por tudo o que sussurra em meu ouvido enquanto aproximo-te de mim, quando abre aquele sorriso maravilhoso quando digo alguma besteira que lhe faz sorrir. Me sinto infinito por te ter, e isso é tudo. Nem sei quanto tempo dura o "tudo", mas me sentir assim mesmo sentado sozinho em uma mesa num pequeno apartamento no centro da cidade; com buzinas de carro pela madrugada; a casa parecendo um cinzeiro gigante; com uma cama bagunçada; é a melhor sensação que alguém como eu (poeta, carente, louco e desajeitado) pode sentir. Eu me esqueço de tudo durante o dia, menos de você. Esqueci até que eu deveria ter dormido às 23:00 horas da noite. Eu durmo cedo ou pelo menos dormia, até te conhecer.

sábado, 12 de outubro de 2013

Assim como está: sereno

O tic-tac do relógio, a TV ligada no volume baixo, o incenso aceso impedindo que a fumaça do cigarro tomasse conta do cômodo. Milhares de lembranças. Fechei os olhos e segurei as suas mãos mentalmente. Fui abrindo-os novamente, pouco a pouco. Sinto vontade de tê-la aqui ou em qualquer lugar que seja, o brilho dos teus olhos me trazem paz, menina. Encostar os meus lábios secos nos teus tão belos e bem cuidados me fazem encontrar o céu, e abraçá-la é como se eu deixasse todo o meu mundo em teus braços, sendo protegido por ti. E se eu não te tenho aqui, o que faço? Lembranças me embriagam, não estou mais aqui. Estou noutro lugar, em outro mundo. Não mais eu e tu. Agora é nós. Meu ponto de paz, sei bem que não existem pessoas perfeitas, mas há aquelas que apesar dos defeitos tornam-se os seres mais lindos diante de olhares distantes e viajantes como os meus, e é esse o modo como lhe enxergo. O que é um dia sem ti, será mesmo um dia? Dói. Afogo as minhas mágoas por estar distante e peço arrego. "Eu preciso dela aqui", dizia o meu subconsciente. Só você tem toda a capacidade do mundo para me deixar bem, quando estou ao seu lado é como se existisse apenas você, eu esqueço de tudo aquilo que me toma a paz. Tu és tudo. Com meus olhos bem abertos observo-lhe e estou hipnotizada. Aproximo o teu corpo do meu e é como se uma chama acendesse dentro de mim aquecendo toda a frieza que um dia existiu bem aqui. Você derrete a grande geleira que cresceu aqui dentro ao longo do tempo e eu me sinto melhor assim, com você. Olhou dentro de meus olhos e aproximou sua boca da minha até sentir a minha respiração ofegante. E o meu coração dizia "olha aí, isso tudo é paixão". Percebo que nem da minha racionalidade consigo usufruir enquanto estás longe, torno-me insana sem ti, sem ti eu seria um ser humano sem rumo. Quando chegou, eu quase levantei as mãos para o céu e agradeci por ter chegado como um anjo em minha vida, colocando-me na estrada certa da qual devo permanecer. Nem reclama do meu cheiro de cigarro, os meus devaneios não lhe incomodam e diz que sou repleta de mistérios. E o que seria de nós sem isso tudo? Eu nem sei. Inúmeros copos de cerveja e tragadas no cigarro não mais preenchem o vácuo em meu peito, ele só se fecha contigo, eu percebi. Mas eu a deixo livre, para fazer o que quiser. Sabe bem que tem toda a liberdade do mundo para ir e não mais voltar, nunca mais. Mas você também sabe que pode permanecer com tua alma e desejos ligados a mim, bater em minha porta pedindo para entrar e dividir o cobertor e a cama pequena comigo, como quiser. Espero fazer com que fique e continue aquecendo todo o meu coração, não me acostumei com sentimentos frios. Sente-se aqui ao meu lado, deixe eu abraçá-la pela cintura e encostar a minha cabeça em teu ombro a fim de relembrar-me do que realmente me trás paz: te ter ao meu lado. E apesar de toda a liberdade, saiba bem que te quero aqui, assim como está: sereno.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cansaço, frio, cigarro e outros pensamentos


Encostei-me na parede ao lado da pequena livraria de esquina e acendi o meu cigarro, ali mesmo. O dia já estava tornando-se noite e o frio chegava assoprando em meus ouvidos. Sentei-me, e fiquei imaginando toda essa fase de minha vida. Naquele momento eu percebi o quanto tudo estava cansativo, monótono, igual... Chame como quiser. Parece que eu estava me tornando, naquele momento, o que eu seria para o resto de minha "história". Eu sempre quis ter feio algo para que isso mudasse, na verdade, eu sempre tentei. De tanto tentar, aparentemente fui descobrindo o que eu queria levar para sempre comigo e o que merecia ser depositado em uma lata de lixo invisível. Mas, chega uma hora em que a gente cansa e deixa as coisas acontecerem naturalmente, tão naturalmente que tudo torna-se bem mais agradável de ser vivido (eu até esqueci que minha vida era um tanto quanto chata), e é assim que deve ser, pelo menos no meu ponto de vista não muito normal. Até agora eu devo ter tragado umas três vezes o meu cigarro, ele até gelou. Pensar, pensar me faz esquecer de tudo e ao mesmo tempo fazer com que eu lembre de cada detalhe que me incomoda ou me deixa eufórica com tamanha felicidade ou satisfação. O café esfriou, as páginas de meu livro estão um pouco molhadas, agora chove o suficiente para que eu me molhe enquanto caminho. A parada não é tão longe daqui, vou continuar caminhando com esses pensamentos meio barulhentos na minha cabeça e, sei lá. Faz bastante frio aqui, e logo à frente já avisto o ônibus vindo vazio com calor humano e pessoas com seus devidos olhares distantes. Viajantes, assim como eu. Eu soube que quando a gente não espera algo de alguém, é quando mais somos surpreendidos. Demorei muito tempo para perceber e aceitar isso. No momento, apesar de tudo acontecendo ao meu redor ao mesmo tempo, não tenho perdido a minha paz, alguém tem segurado ela para mim, e segurado muito bem por sinal. Boas companhias realmente chegam quando devem, más companhias sempre irão embora para dar espaço a pessoas que precisam permanecer conosco, mesmo que por um determinado tempo (muito ou pouco) para nos ensinar algo. Ainda é cedo para um monte de coisas, para pensar e tomar algumas decisões. Eu realmente acho que a vida não é curta como dizem por aí. Temos o tempo necessário, nem um segundo a mais, nem um segundo ao menos. "Como tudo deve ser". Nada a mais, nada a menos. De situações ruins eu só levo inúmeras lições. E em pensar que eu já reclamei tanto de tudo...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

I'm traveler

"Sou viajante."
na beira de um lago
me encontro no mar
olhando pro céu
me sinto uma estrela
com roupas largas
me sinto senhorita
mistura de senhorito
mas não sei
não sei o que é real, realmente
tudo é meio mentira
meio verdade
meio saudade
meio te odeio
meio te quero
meio duvido
mas te quero por inteiro
essa é uma verdade sem metades
Leva isso contigo
La la la iá

Viajei.