domingo, 25 de maio de 2014

Sobre o silêncio que fala

Sobre o som da minha tv
o silêncio da alma
a extravasada dos pensamentos

Há silêncio.

Um silêncio que fala muito mais do que se é de costume
A gente tapa os ouvidos
mas não adianta

Eu o escuto mesmo assim.

Escolho o que quero deixar tatuado aqui
e sigo em frente, mas nada de repente
É que...

No final das contas, é tudo uma escolha:

O futuro;
O caminho em direção ao futuro;
O pensamento que direciona;
O amanhã.

Mas sobre o hoje, eu sei de pouca coisa.

sábado, 24 de maio de 2014

E esse céu?

Brasília e um deserto de nuvens num dia desses
Sabemos da simplicidade de seguir de olhos abertos
Os olhos da alma em que queremos permanecer
As lembranças da mente que queremos esquecer
Não relembrar pra viver.

Fogo, ar e água
No embaralho,
permanecem imóveis.

Vou viver do inventado,
do não correr manchado de intacto.

Concreto, reto, observo
Sou viajante, incessante
Incessantemente adolescente
Indecente e certo
Corro pelo que é aos meus olhos correto.

Aqui, passou!
Rápido, sério e esquecido
Introduzido na vida do jeito que ela é.

E se eu quiser seguir a marcha ré?
Eu possuo algum tipo de fé...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sobre o que esperar

Onde qualquer esquina torna-se perigo
E o meu abrigo
Daqui longe fica
Tudo se derrete em minhas mãos...

O corromper do olhar
que avista
A parar no meio da pista
E escoar

Sobre o não tão belo (talvez)
Depende do olhar
Quando se estabelece firme
E observante

Tudo será mera longitude
De onde se abre um feixe de luz
Interna ou externa, seja qual for
existe
E chega...

Aí fora eles mascaram tudo
Pintam suas paredes
disfarçam a sujeira de suas almas

Detalhe por detalhe
Susto
Que devaneio...
Mostre-me a tua verdadeira face.

domingo, 18 de maio de 2014

Fim de verso

Uma loucura só, observada a sós
Será de onde vem a real calma,
Que sempre rodeia mas raramente acalma?

De onde vem a alma pura?
Espalhando loucura
Que ao mesmo tempo que cura
Machuca e atura
Nas cicatrizes das incertezas
Escondidas em pequenos copos de
Cerveja...

Adormecer no mar de loucura
Que vai além da procura da cura
Que se foi...
Apesar de nunca querer se esvair,
Tudo o que queríamos era apenas
Sorrir
E sorrir
E sorrir...
Até o mundo acabar
E o verso se findar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A rua é nua

Tentar, tentar e tentar.
E se um dia o mundo acabar,
que me leve bem leve daqui.
Diante daqueles olhares que vi sorrir,
algo cresceu bem aqui,
dentro de mim.

Bem maior que o mundo à fora
Que nasce a cada aurora;
que fica mais belo a cada entardecer.

Pelas nuvens em que já me escondi,
do calor que às vezes esfrio
prefiro não fugir.

Gosto do que fica,
do que ensina e purifica.
Correr atrás do que corre,
enquanto a lágrima pelo olho escorre.

Pra terminar, direi que posso continuar,
aqui ou ali, em qualquer esquina
por onde eu passar.

Pra continuar caminhando tive que aprender
a cuidar dos meus próprios calos
e compreender que a vida é feito de
esquecer e renovar
de optar por qual rua passar.

Então caminhe,
desbrave,
descubra.
Pra ver até onde te leva essa rua
que você tanto chama de tua,
mas que aos meus olhos rezo
para que algo traga e eu não desprezo.

"Ah, se essa rua fosse minha..."

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sobre queda

É aqui o lugar onde o vento bate no rosto com a leveza de mais uma queda. Viver e viver, acham que em tudo há razão. Talvez nem há! Acreditar, acreditar em mil palavras tantas vezes já escutadas, de várias formas diferentes, por tantas pessoas estranhas. Talvez a vontade de viver de acordo com o meu pensamento tenha trazido frustração. Tão normal, é algo tão anormal mas ao mesmo tempo tão comum... Buracos que não se tapam nem com mais um trago do cigarro e outra dose na mesa de um bar. Interesse em cima de interesse e as vidas acabarão vazias e sem cor. E os corações? Inexistentes. E um presente sem perspectivas, estão todas por aí: perdidas. E aí? Quantas vezes as palavras foram vomitadas com o intuito de serem compreendidas? Inúmeras foram, como se fossem avisos de "não faça isso, não outra vez". Finge que deixou, porém, apenas finge. Tatuagens não se apagam, felizmente ou infelizmente. Meio termo, ou a metade, ou o nada, sempre assim. E a consciência grita por que precisa de certezas, mas não possui qualquer que seja. E a alma agoniza em busca de uma resposta entre as batidas nada aceleradas do coração. Sem fortes emoções, envoltas no processo lento de apanhar para aprender. "Uma coisa de cada vez". Ter cuidado para que os méritos não se tornem motivo de orgulho maldoso. Entender que a vida não passa de uma bela roda gigante, hora mui divertida, hora tenebrosa. É esse o meu dever! Compreender, apenas compreender e repetir as ações até que estejam puramente nuas e sinceras diante das inúmeras estradas pelas quais ainda vou passar nessa viagem que eu chamo de Vida. Errar pra aprender, "às vezes caio, mas eu me levanto".

sábado, 3 de maio de 2014

Avulso escrito por impulso

Então deixa eu viajar em paz
Viajar em busca da paz
Quem sabe em Brasília
Ou até em Marília
Deixe-me aprender o que é esquecer
Deixe-me estar, ir e compreender...
Todo lugar é lugar
Pra exaltar e exalar alegria
Sei que a vida não é só conflito
É também tranquilidade
E de verdade, eu vou falar o que pra mim nunca foi fácil

Nem se passaram muitos anos
E aqui estou
Em pé
Coração dói
Relaxa, tá tudo bem
Tudo que vem
Volta
Tudo que vai
Vem

Aranhas e aranhas
Entranhas,
Tudo estranho meio Augusta
Meio desconhecido aos meus olhos
Leblon.

E os demais sentimentos
Derretidos ao relento
De uma taça de Chandon
Da confiança que se vai
Que talvez era apenas ilusão

E tudo o que observa
Vê com outros olhos
Talvez com os olhos da multidão
Talvez de uma bela sabedoria

Deixe-me aprender o que é esquecer
Deixe-me estar, ir e compreender

Eu tenho vontade de fazer mil tatuagens
Tatuar coragem e sabedoria
Dia a dia, hora após dia

Observo o que me atrai a alma
Talvez esse seja mais um poema que traga calma
Tudo está envolvido em lençóis
Lençóis bagunçados
Por corpos aguçados

Aguçadamente prazeroso...

Era tudo tão divertido
Mas as coisas estão invertidas
Num processo de esquecimento
Desejado pelo coração.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Constante

Há muitas coisas que eu não sei
milhões de coisas pelas quais busco respostas
não há o que me faça parar
sou constante
incessantemente insaciável

Tudo o que carrego dentro de mim
é imenso
e sempre é preciso muito para tapar os buracos
da estrada da vida
nada suave

Meu fardo é grande
a vida não aguenta me levar
Talvez seja mais fácil que eu a carregue

Há muitas coisas que eu não sei
milhões de coisas pelas quais busco respostas
não há o que me faça parar
sou constante
incessantemente insaciável

Sou desconfiado
Meio sem razão
E nesse meio todo
várias interrogações

Tudo incessantemente insaciável
Tudo incessantemente inacabável.