domingo, 3 de novembro de 2013

Esquina

Aquela esquina era bem conhecida, eu passava por ali todos os dias durante o meu percurso até a escola. Acho tudo muito pacato e eu gostava de observar aquele lugar, meus devaneios no meio dali tornavam-se mais intensos, porém, tranquilos. Eu não sei se existe uma loucura tranquila, ou talvez eu saiba e até viva uma delas. O amor, sim, o amor. Minha mente o considera uma loucura que apesar de conturbada, é tranquila. Contradições à parte. Me contradigo e o meu coração esconde aquilo que realmente acredito. Sentada no meio fio observando o céu e nenhum sinal de chuva. Domingo e um trânsito quase inexistente, a rua deserta. Talvez tudo o que eu precise é de um pouco de silêncio, as outras coisas importantes eu já possuo. Alegro-me ao abrir a minha mochila e saber que continuo carregando um estojo de canetas e um caderno depois de tanto tempo. Pensamentos em um dia como esse precisam ser gravados. Preciso pensar em outras coisas. A vida precisa andar incessantemente para a frente, passando por tudo o que deve passar, mesmo que seja rápido. Pisquei. Passou. Vi. Senti. Vivi. Me ergui. Pingo nos ís da vida. Ainda bem que eu pude observar, ainda bem que absorvi. O mundo e a evolução não fez de mim uma pessoa de alma cega, eu vejo além do que se vê e sinto além do exagero. Eu sobrevivo do amor, eu o respiro, deixo voar, pego de volta. Um ciclo de um vício bom. A tarde passou e eu nem vi. Pisquei. Escureceu. Levantei e fui. Continuei o meu caminho e retornei a minha casa, eu ainda precisava de silêncio. O único barulho que quero ouvir aqui é do amor dizendo que não quer ir embora. Quer ficar aqui, sentado no meu sofá, assistindo a TV acompanhado de um belo cafuné e um café esfriando. A única coisa que não aceito deixar esfriar é esse amor. O café pode.