Era uma terça-feira, mas não "qualquer" terça. Acordei atordoada, com vontade de fugir de tudo e todos. Minha mente não parava um segundo sequer e eu pensava em tudo. Eu desejava colocar as dificuldades em uma sacola e jogar em um lixo, bem longe de mim. E foi isso que eu fiz. Logo após, peguei uma mala de couro marrom, presente do meu avô. Enchi a xícara de café e me dirigi até meu quarto. Coloquei o meu moletom vermelho dentro da mala (o meu preferido), um All Star velho e algumas calças jeans. Peguei o dinheiro depositado na gaveta da cômoda, todas as moedas do potinho que juntei para a minha viagem que seria daqui há uns 7 anos, escrevi uma carta de despedida para minha rainha e saí, totalmente sem rumo. Naquele momento abri mão de tudo o que me apeguei: amigos, sonhos antigos, família... vida velha! Ficou para trás. Deixei cair algumas lágrimas e segui para a rodoviária da cidade. Chorei feito uma criança abandonada, mas sabia que a mudança é necessária, e em algum momento da vida eu teria que tomar essa atitude, por mais amarga que pudesse ser no começo. Acendia um cigarro atrás do outro, eu realmente sentia medo de arrepender-me dessa atitude. Deixei amor, família e bens. Segui sem apego, apenas eu e a vontade de desapegar-me. Desembarquei em uma cidade qualquer da qual nem sei o nome, procurei uma lanchonete mais próxima e pedi um café. Queria sentir mais uma vez como era estar em casa... esqueci-me da sensação, literalmente. Senti falta do meu amor. Senti falta do colo da mãe. Senti falta da companhia de meus grandes e velhos amigos. Mas decidi ser forte. Era exatamente ali que eu começava a realizar todo o meu desejo de sumir de tudo e todos, de mudar tudo em mim, de batalhar e buscar realizar os meus sonhos, totalmente sem rumo e direção. Usei o meu sentimento como guia e minha vontade de liberdade.
Segui em frente.
Sem olhar para trás.
Porque certas coisas não voltam.
Certas.
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