Não tenho pressa. Pressa pra quê? Pra nada, hoje é domingo. Domingo preguiça. 23 de junho. Águas de março. Águas de junho. A terra e o céu se unem de um modo peculiar. E não vejo nada passar, não tenho pressa. O vento passa, ele passa. Não tenho pressa. Uma hora chega. Chega amor. Sossego elevado. Sono. Tudo. Mas "tudo" é relativo, o que seria tudo? Seria a minha, a tua vida, juntas? Ou todas as vidas juntas? Juntas da gente. O tudo de todos. E com calma... irei morar nos braços de alguém, e será meu novo abrigo. Meu novo ponto de inspiração, minha vida unida a outra. E talvez eu encontre o meu "tudo", mas o "tudo" também se vai. E é aí que não tenho pressa, sou preguiçosa. Passo lento. Pressa pra quê? A lerdeza do passo. Guarde teus passos, caminhe devagar. Quando caminha devagar o mundo torna-se mais perceptível. Sem pressa. Sem pressa a vida esvai. Sem drama. Sem chama. Sem frio. Só vai. E baterá a saudade, e os papos e escritos ficarão aleatórios, mas o "tudo" passa. E o que ontem era tudo para mim, hoje já não é nem o "nada".