terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cafeteria da esquina, não esqueça.





     Olho da janela do apartamento e a chuva cai lá fora. Não há sol, não há horizonte... os prédios tampam. Porém, há muitas árvores e aqui faz frio. Fecho a janela, pego a minha xícara de chá, sento em frente a TV e desligo o rádio. Não há ninguém pela casa, só eu... a solidão tornou-se rotina desde que a minha vida tornou-se mais corrida e insuportável. E como está você, será que está dormindo? Eu estou pensando em você, e muito. E você, pensou em mim hoje? Me pergunto isso toda hora.
     É, não há nada de interessante na TV. Prefiro desligá-la  novamente e ligar o som. Acendo um cigarro, pego uma dose de whisky e desligo o celular. Não quero que me perturbem, preciso de um tempo comigo. Acho que essa coisa de me acostumar com a solidão é verídica, eu preciso disso. Me sinto cada vez mais velha e sozinha mesmo sabendo que não estou. Esse sentimento deve ser em decorrência de alguns sentimentos que eu tive muito precocemente, mas isso não importa agora. As luzes da sala estão todas apagadas, ou melhor, de toda a casa. A embriaguez já tomou conta de mim, e como todas as outras vezes, me veio aquela vontade de escrever para você, ou te ligar, mandar uma mensagem no celular... mas exitei. Esse meu orgulho tem me ajudado bastante à mostrar que "não" sofro por te ter tão longe, ou melhor dizendo... não te ter, nem perto, nem longe. Orgulho dói, por isso choro durante alguns minutos. Me deito, ali mesmo, no sofá da sala.
     Acordei agora. Não vi a hora em que adormeci e estou deitada no sofá com uma baita claridade no meu rosto. Sinto uma dor de cabeça, um sentimento estranho, vazio... como sempre tem ocorrido ultimamente. Tomo um banho, lavo o corpo e tento lavar a alma também. Afinal, mais um dia está se iniciando, tenho zilhões de coisas para fazer. Diferente de quando lhe conheci, alguns anos atrás. Quem diria que esse sentimento fosse durar até hoje, não é mesmo? Você continua com a mesma beleza, obteve maturidade... eu me orgulho de você. Realmente não sei como está a sua vida ultimamente, mas espero que esteja bem. Te quero bem como eu sempre quis. Te quero para mim, ainda.
     Hoje temos um encontro marcado na cafeteria da esquina, não esqueça. Colocar os papos em dia, matar a saudade... quem sabe dessa vez você queira namorar comigo, depois casar, me tirar dessa solidão e rotina cansativa? Passar mais uma noite comigo... Quem sabe, quem sabe...? Aguardo ansiosamente a nossa hora e sinto de verdade que ela chegou. Te espero mais tarde.