quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Não tente entender, só sinta

E ele foi. Pela primeira vez tomou uma decisão sozinho, nem olhou para trás, nem despediu-se... pegou suas coisas e foi. Seguiu um rumo sem direção, tentava fugir daquele "mundinho interno" que atormentava sua mente, e o fazia pensar em coisas estranhas, ouvir vozes e ver seres inexistentes mas o que ele não sabia é que era um problema interno, somente ele poderia resolver, porém, com tantas dificuldades estava cada vez mais complicada encontrar uma solução. Continuou a procurar. Em diversos momentos sentia-se em uma floresta, com grandes árvores e escura, onde não conseguisse enxergar o caminho a seguir. E mesmo assim foi em frente, corajoso. Atravessou muitos obstáculos até chegar em um ponto que não aguentava mais. Sua cabeça explodia, sua pele parecia apodrecida de tantas feridas, seus pés ele mal conseguiu tirar os sapatos, estavam em carne viva, ele estava esgotado, e em meio a tudo isso pegou um pequeno livro que desde muito novo foi ensinado a ler. Sim, era uma Bíblia e dali sempre buscava força para continuar acreditando que existiria um caminho melhor. Fez sua oração, abriu seu livro sagrado em alguma dessas passagens conhecidas e leu, logo sentiu um alívio, como se algo lhe abraçasse levemente. Era o seu Pai lhe dizendo que tudo isso vai passar, pois, absolutamente nenhuma dessas dores seria eterna. Disse que eterno mesmo, só Ele, e mais nada nem ninguém. "Tudo que é do mundo, tem seu fim, meu filho..." e desapareceu... ele ficou assustado, parecia cena de filme ou algum livro que havia lido. Estava melhor, sua pele parecia curada, em seus pés não haviam mais feridas, sua mente parecia sã, sem vozes ou gritos, olhou ao redor e nada de vultos ou demônios e ali ele conseguiu entender que tudo realmente passa, apesar de nunca ter acreditado nisso realmente, mas hoje, aprendeu e sentiu que pra toda dificuldade, toda dor, todo sofrimento, existe sim um remédio. Decidiu que a partir desse dia complicado e surpreso iria preencher o seu espírito com as palavras de seu Mestre, que lhe abraçou quando mais precisou, e nunca, jamais o abandonou.

R.A.R.M.