Vontade de sair caminhando na rua, em meio ao silêncio e as
luzes alaranjadas dos postes. Pelas calçadas da cidade que já foram mais seguras,
continuar caminhando e pensando que: ser quem sou não é um problema. Nem
meus piores defeitos tento esconder, eles saem da toca no momento certo: quando
devem sair. E ao meu ver, não há solução para aquilo que sou. Não sou um
problema. É como uma tatuagem... se eu tentar tirá-la de mim, mesmo que
consiga, algumas marcas irão permanecer ali. Assim também é com aquilo que sou,
é olhar o que já fui e saber que ainda restam resquícios do passado no meu
interior, isso não é segredo mas nem todo mundo enxerga. Estão todos tão cegos,
tentando avistar perfeição onde não existe, tentando jogar os defeitos embaixo
do tapete. E eu me pergunto: onde provavelmente iremos chegar se continuarmos
nesse caminho? É claro que eu enxergo a criança que permanece em mim, cheia de ingenuidade e sinceridade, não sei esconder quando sinto fome de algo.
Ser quem eu sou é tão mais simples do que tentar me mudar. Não
busco aceitação, na verdade eu nunca busquei. Acho tanto que tudo é como tem
que ser (nossa, que clichê) que me acomodei nisso como se eu estivesse sobre um
sofá macio desses que existem por aí. Observo daqui do meio-fio da calçada, queimando o meu
cigarro, o quanto as coisas mudam com velocidade. Dá nem tempo de respirar!
Quando vejo, já morri mais uma vez no sufoco da velocidade em que as coisas
passam por mim. Vi que loucos também amam, loucos também gostam,
aceitam os defeitos, amam incondicionalmente e gostam sem esconder, tanto quando odeiam, são constantes e de vez em quando incomodam.
“Eu já fui cego, já vi de tudo. Já disse tudo e fiquei mudo.
Já fui tão pouco e fui demais.” E continuei exagerada, continuo sendo o “demais”.
Posso caminhar o quanto for, chorar o quanto for, reclamar inúmeras vezes, mas
o exagero é a minha sina. E se ainda não é o que almejo, irei me mover até que
eu alcance o “agora sim, tudo certo”. Um mundo tão cheio, mas ao mesmo tempo tão vazio. Cheio de
almas vazias perdidas a essa hora. Não há hora para
se perder, tanto quanto não a hora para encontrar-se em meios aos escombros de
pessoas que nos encobrem. Tenho visto quantos monstros estão ao meu lado, mas
perdi o medo deles. Não dá pra viver de medo, mas também não dá pra viver de
incertezas. Gosto de certezas e mais certezas, mais respostas do que perguntas.
Preciso enxergar as coisas sem ter que me esforçar, quero que seja tudo tão
claro que me traga paz enquanto trago o meu cigarro. Os meus sonhos são tão grandes quanto o que guardo dentro de
mim, e por mais que eu me canse da minha loucura e queira abandoná-la, eu sei
que irei conquistar tudo o que sempre sonhei com a insanidade dentro de mim. Eu própria, não me abandono.
E como dizem por aí, cada louco com a sua loucura!