quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Palavras que surgem do nada


"O céu é tão infinito..."
E eu aqui
tão pequena
meio grande por dentro
o cigarro
seus 10
7 minutos
aceso
e a minha mente inquieta
e o tempo todo
e o mundo
que chamam de "todo"
o mundo é a vida
são várias portas numa só
vida
entro em todas
nesse caminho perdi a chave de muitas delas
arrombo todas e sigo nesse corredor
tão confuso quanto cada...
sentimento
mil pensamentos
será que tudo é momento?
nem sei
tu não sabe
Não sabemos de quase nada
e já acho que sei de tudo
quando na real não sei
talvez eu nem saiba de nada
culpa da minha própria filosofia
"Porque somos assim?"
são mil despedidas de uma vez só.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Eu sou o eu estranho

Mas o céu ainda está nublado apesar dos pesares de que o coração está feito primavera: chove para que tudo fique mais belo. Abre-se um arco-íris mental independente do tempo lá fora. Aqui dentro tudo funciona de um modo distinto e estranho dos outros, eu sou o que eu sou, eu sou o eu estranho. Sem me explicar, explicar não adianta, nós sabemos disso. As frases não permanecem (cor)retas, são linhas tortas de alguém torto que mal vê defeito nos outros. Conversam entre si longe de meus ouvidos, atrás da melodia de minha música. Mas eu nem me importo, quiçá. Que seja! Que venham lindas e novas fases, e se tiver que chover que seja para alimentar as flores que colorem o dia e o coração. Sem egoísmo, sejamos francos e solidários, sem negar que: todos nós precisamos de alguém que seja como um sol: nos aqueça, compartilhe sua luz própria e faça-nos enxergar a beleza do redor. Preciso, também, ser sol em vidas. Quero. Preciso. Quero o que for preciso e certo, aprender o Português, não esconder-me da luz que tu provocas a sós em meu interior. E exterior? Dos pés a cabeça, inúmeros arrepios. Se não sou bom no que faço, esforço-me, mas sem esforço faço-lhe feliz. E se houver escuridão em ti em alguma noite dessas, serei a tua lua. Às vezes não tenho luz própria, necessito do sol para que haja alguma luz. O sol precisa de outras belezas, se for você o meu sol, precisará das poucas belezas que vem de meu interior. Vou fazer-te pensar nas coisas da vida e tu me fará entender o que eu nunca compreendi por completo, uma boa parte da vida. Boa parte.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Tudo dito sem precisar abrir a boca

Não era pra ter acontecido nada.
Não era pra nada permanecer na memória do coração.
Não.
Aconteceu alguma coisa.
Algo ficou gravado aqui.

Só o que senti, talvez nenhuma palavra dita, apenas relances. A minha memória é meio instantânea, na verdade. O ventilador já desligado, a chuva caindo lá fora. Aqui dentro, em mim, já não chove. Faz sol. O som ainda segue ali no fundo, bem baixinho. Não há como não lembrar, nem como esquecer. É que teu corpo em sintonia com a tua alma formam o que, diante da minha insanidade, posso chamar de "País Das Maravilhas". Onde me perco, sem esforço algum. É como se vendasse os meus olhos e permitisse que eu enxergasse apenas o surpreendente! Eu devo gostar de pássaros, ela é como um pássaro. Não sou caçador. Enquanto ela voa eu a observo de longe e numa qualquer hora dessas ela pode voltar a aninhar-se em meu colo. O cheiro de sua pele, o brilho dos teus olhos ao me olhar, é como um sol que ilumina alguma escuridão. O seu beijo é como se fosse uma dose capaz de curar qualquer ferida que passeia pelo meu espírito. É tudo natural. E um nada pode tanto ser um tudo. "Nada" pode acontecer. Nada pode acontecer. E qual lado eu enxergo? Eu não sei. Não sei sobre o "nada". Talvez eu nem saiba de nada. Tudo é tão relativo quanto nada. Até a palavra. E o que seria "tudo"? E o que seria "nada"? Eu acendi um cigarro aqui. Continuo ouvindo aquele som, mas tu pode sentar aqui ao meu lado, acender o seu cigarro e deixar a minha mão envolver a sua cintura. E eu sei que a gente vai ouvir a musica e continuar em silêncio, e eu vou colocar a mão na sua nuca por que é isso que eu sempre faço, mesmo que eu não me recorde e nem você. É que a gente só sente, não repara muito, talvez. Talvez. Eu sinto e deixo guardado até quando devo, aprender a ter auto-controle: é mais ou menos isso. É que eu aprendi a deixar rolar, e prefiro assim. Será que eu sou o yin e você yang? Ou será ao contrário? Talvez, mais uma vez. Eu estou aqui, sem máscaras.