Ao som de Legião Urbana. Voz de Renato Russo. Tais sentimentos exalam de modo à progredir pelo olhar. Eis que a oportunidade está diante de mim. Por mais que as horas passem, passam lentamente. Agonia. Quiçá, amanhã tudo mude. Preocupo-me levemente com o soprar da vida plena. Serena. Quase sem cor. Escassa de emoções que corroem. Uma dose de brilho para minh'alma, meu ser. É, mesmo que tudo passe. Espero um certo tempo por alguém. Apenas. Alguém. Um ser qualquer. Abram caminho pelo corredor deste pequeno bar, eis que chego. Quero passar. Acuei-me diante de ti. Ó, qual és o preço por uma vida vivida? Incompreensões dilatam de minha memória. Rica, porém, curta. Assim, meio que sem lugar para mim. Não é necessário certas compreensões, necessário mesmo é sentir. Horas trocadas. Ventos contrários. Caminhar milhas. Chegar em algum canto... distante. Seu canto. Meu canto. O nosso. Cantaremos juntos uma bela canção. Em paz. Sossego me agarrou. Hora me solta, hora permanece. Reviro a ampulheta tentando fazer com que o tempo se apresse. Sem opressão. Obsessão por minutos voantes. Não me descobrem. Tampouco vão à fim. Apresso-lhe, tempo. Anseio encontrar o que procuro e não sei. Manhã cinza. Vento sereno. Frio. Sol fez das nuvens seu aconchego. Sua cama. Seu cobertor. Parecia sentir frio. Querer mostrar-se... porém, o frio lhe privou de suas vontades. Mas avistei-o, meio que apagado. Identifico-me! Sinto escuro, assim. Físico, espírito e quem sabe, alma. Se misturam e constroem. Eu lhes moldo. Chorem os amargurados! Vida enxuta. Quase que sem brilho. Descansa. Cansa. Casa. À esta hora prefiro não retornar. Seu silêncio me pesa toneladas. Soa brisante ao meu ouvido desatento. Vida vivida, páginas amareladas, outras por escrever. Caneta como ação. Lápis como pensamento. Ação permanece. Pensamento se vai. Sei lá. Longe. Sinto. Sinto pena, páginas amareladas. Coisas envelhecem. De modo clichê, ficam para trás. Guardadas em um baú denominado Mente. O vento leva as cinzas. Cinzas se desfazem. Não me incomodarei, não dessa vez. Aceitarei o teu belo modo de doer à mim, vida. Meu modo à reinventar. Porque escritos... Ah, isso a gente reinventa. Refaz. Se supera. Passou. Um de cada vez.