quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Melhor se calar, coração.

Me chamam... O celular desperta. Me levanto, tento tirar o cansaço contínuo do corpo e penso em você. A noite foi ruim. Arrumo minhas coisas, tomo um bom e rápido banho e saio. Vou viver mais um dia. Sim, eu tenho medo de arriscar, não escondo isso de ninguém... Mas convenhamos que não sou a única que possui esse medo ridículo. Pego minha mochila e vou... Espero o ônibus. "Que demora." Ele chega. Entro e todos me olham. "Ah, deve ser o meu cabelo bagunçado." Não ligo em ficar impecavelmente linda. Não faz diferença, mesmo que muitos derretam-se por quem é belo e pareça bem cuidado. Quanto mais deixo de me importar, mais passo uma imagem do que guardo aqui. Dentro do meu coração. Em meus pensamentos. Um vazio, apenas. Encheram-se demais, esvaziaram-se demais. Cabeça e coração, razão e emoção. Nunca na medida certa. Sou como uma ampulheta, uma parte sempre vai estar mais cheia e sobrecarregada que a outra. Aos meus sentimentos, suplico: entrem em um acordo, sejam passivos. Tenham pena de mim... Mas não vão embora. Alguns podem ir, mas por favor, deixem tudo no lugar que vocês acharam. Pois isso tudo já tornou-se uma farra. Enfim. Depois da aula vou até o parque da cidade, onde eu possa pelo menos descansar. Inevitavelmente me recordo de paixões passadas, fracassadas, passageiras... Ou não. Lembro-me de todos os corpos que já toquei e logo recebo um tapa na cara dado pela nostalgia. Sinto medo de lhe assustar com a ira de minha demência, do meu "tô nem aí". Mas penso que talvez nem se importe, com nada relacionado a mim, mesmo. Eu que me ajude e não me abandone em noites frias onde só existe eu, o cobertor grosso, e um chá quente.  Companhias eu terei raramente. Tudo é tão complexo, tão embaralhado como cartas de baralho. Sinto como se estivesse em um labirinto. Mas não qualquer labirinto, e sim um em que eu "jogue" em busca de algo que seja intenso, verdadeiro e eterno. "Eterno enquanto dure." Confuso isso. Poderia até ser uma novidade, mas incertezas fizeram morada eterna em "minha nada mole vida". Passaram por aqui e gostaram, e sem minha permissão, permaneceram... Ou continuo com tudo isso dentro de mim, ou paro de viver. Prefiro continuar até que algo mude. Não está tudo bem, mas quem se importa? "Nem eu mesma." Queria mesmo é que o entulho de esforços pra te conquistar servissem pra algo, mas são apenas entulhos. E quem sabe, mais tarde sirvam pra alguém. Sei que a mão escreve do que o coração está cheio. Tanta confusão e o meu coração aqui, querendo gritar algo á você. Digo a ele que não há necessidade de dizer-te novamente. "Melhor se calar, coração."

Rafaela Alexandre e Davi Maia