segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Corsário

Pirata preso na embarcação
Não avista terra firme
Parece uma cena de filme
em que o porto seguro não está ali, adiante
Soltos pelo ar...
Fiz poesia de frente a maré
por que o teu silêncio me falou
Al, gu, ma coisa que eu não sei dividir
Meio monossilábico
Metafórico
Tenho medo de escrever
e tu ler
Tenho medos.

Eu tenho é medo do próximo enredo
Porque olhares se atingem sem nem mesmo planejar
sem mapa, sem bússola
Involuntariamente, de repente
algo sumiu da minha mente.
Desminto.
Por que sorrir amanhã
se eu posso sorrir hoje?
Mente aberta a uma nova verdade
jamais perderá a sabedoria novamente.
Mas hoje é dia de prosa,
até quando o excesso de corpos em um mesmo lugar
não me atrai e o cheiro de cigarro faz arder o meu nariz.
Nas entrelinhas de uma certa confusão,
permaneço quase intacto
me tornando intocável instantaneamente,
depois desisto.

Resquícios de porra nenhuma

O celular mais uma vez despertara o meu sono frustradamente ou alegremente cedo. O gato já me acordava antes, isso é claro! Levantei da cama, vesti a calça preta e lá estava o isqueiro grande e amarelo. "Meu isqueiro..." pensei. Nada era tão morgável do que acordar e já pensar em acender mais um fumo desses. Cômico... Descobri que minha vida era comicamente repetitiva. Cazuza até citou e me identifiquei: "eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não pára...". É, meu caro... Realmente. Concordo plenamente contigo, que Deus o tenha (seja lá qual deles, seja lá qual for o seu e se ele existe), realmente não sei se Cazuza era ateu ou não. Então, vamos lá: Levante-se, escove os dentes, não penteie o cabelo e saia em busca da santa carona de todos os dias. Vá para a escola, coma sozinha, acenda um cigarro e atravesse o sinal. Seja obediente, mantenha boa postura com essa cara monótona que você tem. Pra quê? Porque quando a gente experimenta uma mudança, às vezes até quer voltar a ideia inicial, o que obviamente é o meu caso. Mas, até hoje eu não sei se isso realmente ocorre, não descobri, mesmo que eu esteja constantemente em busca de inúmeras respostas para desfazer as incógnitas que vez ou outra me atordoam. Muitas pessoas aumentam a minha vontade de sair correndo, pegar uma dessas garrafas de vinho, um pelé e fugir. Com uma moto, se eu tivesse uma. Não sei quando que isso começou, mas tenho me sentido mais confortável quando estou só. Ora odeio ser assim, ora amo. Loucamente meus pensamentos fluem e eu dou corda a isso. Todos vêem como loucura ou um certo exagero, enquanto isso eu bebo cerveja, porque vinho bom está bem caro! Pensem o que quiser, fo-da-se essa porra toda. De verdade, foda-se. Eu gosto dessa palavra: foda. Delícia... Foder! Sou à favor. Mas, vamos lá. Convenhamos que pessoas mudam para agradar outra pessoa, pelo mínimo que seja. Talvez nem isso, é que sempre estamos em metamorfose. "Nossa, como você mudou" ah, sério? E você sempre foi a mesma pessoa a vida inteira? Papo furado... sai pra lá.  Eu nem tenho carro ainda, nem penso em ter. Na verdade, quero uma Harley Davidson bem louca. Fazer jus a minha peregrinação mental, vagar não somente com a mente mas com o corpo inteiro.. Quem sabe? Mas o meu salário é mínimo, então eu tenho que estudar ao invés de estar aqui, relatando o nada.Eu quero viajar o país inteiro, ter o vento soprando velozmente no rosto, fugir da polícia, fugir do mundo, fugir da vida. Quiçá! Estou te contando isso por que eu penso nisso toda noite quando quero jogar tudo pro alto e cair fora dessa cidade. SÓ. Solidão. São Paulo. Mas, não gosto de solidão exagerada, então, aqui já está de bom tamanho... Ou não, talvez litoral, Rio de Janeiro, mulheres sensuais demais, malandragem e samba... Ô cidade maravilhosa! Aqui não tem praia. Porra. Caralho. Deveria! Mas, é no centro do país... Resolveram transferir toda essa baboseira de políticos para cá. Claro que eu ainda nem havia nascido, mas cresci no meio disso. Não irei mentir que sei falar sobre política, mas não me agrado mesmo de nenhum deles. Ê laiá... a luta do povo contra a corrupção que nunca acaba. A cidade cheia de Fuscas e Brasílias. Ainda não aprendi a gostar de sexo casual, talvez ainda é cedo pra isso. Mas, às vezes eu penso que a hora certa é a do meu relógio e só. Em insanidade, até beijo sem sentimento. Porém, entretanto, com tudo isso... É raro. Ô, yes! Pessoas falam demais, apontam demais, exageram. Voltei para casa enquanto pensava nesse bando de nada, como eu disse em meus pensamentos, à quem quer que seja. Abri a porta, entrei, a gata escalou minha perna, joguei a mochila no canto, sentei e bolei o meu cigarro. Acendi e vi aqueles pensamentos indo e voltando, voltando e indo. Talvez eu não saiba de nada, nem escrever, nem fumar, nem fazer sexo, nem conquistar garotas, nem porra nenhuma. Posso saber de tudo, no mínimo, na verdade. Aprendiz, não é? Talvez. Acho que essa vida é um eterno talvez. Ou só o futuro. O não a gente já tem, o sim a gente consegue, mas talvez. Na verdade, eu acho que é pura insanidade esquecer-se de algumas coisas. Olha, prefiro nem citar. Engraçado é quando a gente se acomoda, aí tudo fica escroto mas aí você não está nem aí mais. Engraçado, também, como o meu sabor preferido de cigarro não é mais Marlboro. Cigarro pra mim é uma morte em vida. Pelo menos eu, quando fumo, mais quero. Por isso eu me distanciei dessa boa praga. Mais ou menos, na verdade. Porém, além de tudo, o que mais me faz tirar sarro da vida é o fato de que em Brasília tudo é claramente momentâneo. Observa só: vá num bar disposto a trocar uma idéia. Alguém aproxima-se de você ou está no mesmo grupo de amigos, mas ainda assim para você ela é desconhecida. Do nada os assuntos se esbarram e aí trocam a maior ideia do mundo! Ela te diz coisas da vida e sai. Você se encanta ou não e nunca mais vê a pessoa. Aqui a gente meio que conhece todo mundo e todo mundo se conhece, de vista ou pelas companhias. Como ir a algum lugar em Brasília no centro da cidade e não enxergar um rosto conhecido? Tudo passa tão rápido... Escorre. Meios termos que agradam sempre surgem, alguns "quases" nada que me levaram à extremas percepções do que é viver coisas como se sonhasse acordado e em algum momento da vida acabara acordando por que a realidade muda.  Há tempos eu não via sentido e nada. Acho que não devo ver sentido em tudo, também. Pra quê? Deixar essa vida correr como ela quer, não correr atrás dela por que ela corre atrás de mim. Faz sentido? Não faz. Nunca fiz. Não pretendo fazer sentido. Não sou fábrica de sonhos, viajam cá e lá comigo. Em alguma parte do caminho chove em cima da açucarada ilusão que se derrete. O que me consola é que aqui é Brasília e só vive aqui quem transpira momentos e situações momentâneas que ficam gravadas na memória e vez ou outra a gente assiste esse filme sem início e fim que a própria cabeça é o roteirista. Já tatuei tanta coisa no meio disso tudo que na minha alma eu não tatuo mais nada por que não cabe, resolvi fazer uma tatuagem de momento, aos 14 anos de idade e eu não me arrependo, não mais.